Se você precisa de alguém para conciliar e pacificar o ambiente, o pastor Otávio Pinheiro (PTB) não é a melhor opção. Longe disso. A Câmara aprovou, ontem, o Dia do Diácono Evangélico. Antes da votação, Adérmis Marini (PSDB) e Laercinho (PP) foram à tribuna e defenderam o direito do vereador ter apresentado a proposta. Otávio havia recebido duras críticas nos últimos dias pelo excesso de homenagens que apresenta, a maioria voltada a membros de sua religião. A média dos colegas não adiantou. Pastor havia permanecido em silêncio. Tão logo o projeto foi aprovado, ele pediu a palavra e colocou fogo na sessão ao entregar o gasto de todos os colegas com solenidades do tipo.
A atitude do pastor quebrou a monotonia da sessão. Para averiguar se realmente era o rei das homenagens, ele requisitou ao setor de contabilidade da Câmara que levantasse os gastos de todos os vereadores, no ano de 2013, referentes à compra de placas, convites, diplomas e molduras. “Assumi algumas sessões solenes de vereadores que não estão mais na Câmara. O Dia do Pastor Evangélico, por exemplo, não é de minha autoria. Acabei tendo um custo maior e, de fato, sou o primeiro colocado no quesito de gastos. Em segundo lugar ficou o Radaeli. Depois, aparecem o Adérmis, o Claudinei e o Laercinho”, entregou, citando as despesas dos vereadores (confira os gastos no quadro nesta página).
Na semana passada, Adérmis e Radaeli haviam criticado a overdose de homenagens e propuseram um limite. “Os vereadores que mais criticaram tiveram, junto comigo, as despesas mais altas. Para criticar, não deveriam ter custo nenhum, mas estão próximos da despesa que eu tive”, alegou Otávio.
O delegado foi o primeiro a reagir e disparou em direção ao pastor. “O senhor deveria dar a informação correta para não denotar mentira. A verdade tem que prevalecer. Não podemos analisar o custo com base em apenas um item. Fiz uma homenagem que era de outro vereador e os dois títulos de cidadão que tinha direito no mandato. Esgotei a cota no primeiro ano.” Radaeli pediu ao presidente que seja levantado todos os gastos dos vereadores com viagens, telefones, correspondência e manutenção de gabinete. “Fiquei bronqueado, sim, pois a análise de um item só dá para desvirtuar a notícia, a situação. Quero ver o gasto geral. Quais os benefícios que as viagens estão trazendo para a nossa comunidade?”
Laercinho, que havia defendido Otávio Pinheiro, disse, depois, que o pastor “não era de Deus”. “O senhor errou em trazer o assunto para a tribuna. Estamos apanhando lá fora de bobeira. Se tivesse falado antes, o projeto não passava. Temos que ser amigos até na véspera da eleição, quando é um puxando o tapete do outro.” Josivaldo Bahia (PTB) fez o papel de porta-voz da sociedade. “Me envergonha o que está sendo discutido aqui. Temos assuntos mais importantes para tratar.” Após ter provocado a revolta dos vereadores, Otávio Pinheiro encerrou as discussões em forma de pregação. “O pastor é pacificador.”
Orçamento impositivo
As discussões sobre as homenagens se arrastaram por mais de uma hora. Em seguida, estava previsto para ser votado o projeto implantando o orçamento impositivo na Câmara. Em caso de aprovação, o governo municipal ficaria obrigado a executar todas as emendas orçamentárias acrescentadas à Lei do Orçamento que forem apresentadas pelos vereadores. O projeto não entrou em votação. “Pedimos a retirada por uma estratégia de encaminhamento. Não tínhamos os dez votos necessários para a aprovação. Desconfio, mas não entendo o motivo dos vereadores serem contra. É uma forma de dar independência ao Legislativo e evitar que o vereador fique pedindo esmolas ao Executivo”, disse Márcio do Flórida (PT). “Como é um assunto novo, discutido em todo o Brasil, vamos aprimorar e melhorar a proposta para voltar a apresentar no momento certo.”
Em maio, será realizada a mobilização nacional de vereadores em Brasília. Um dos temas em discussão é o orçamento municipal impositivo. A Câmara formou uma comissão, formada por Valéria Marson (PSDB), Claudinei da Rocha (PP) e Luiz Vergara (PSB) para representá-la no evento. O custo, incluindo viagens, diárias e inscrições, será de R$ 7,1 mil.

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