Os quase 200 médicos que trabalham na rede municipal de Saúde devem se reunir nesta noite. O encontro acontece às 19 horas, no Centro Médico. Convocada pelo Sindicato dos Médicos de Franca, a reunião servirá para definir uma proposta de melhoria de salários que será apresentada à Prefeitura e ao Ministério Público Estadual. A medida é uma tentativa de evitar que os profissionais desistam de trabalhar na rede municipal.
Desde o início do mês, a Prefeitura vem tentando convencer os médicos a cumprirem a carga horária para a qual estão contratados. Pelo contrato de trabalho, eles teriam que atender pacientes por 20, 30 ou 40 horas semanais. Mas um decreto do ex-prefeito Sidnei Rocha (PSDB), considerado ilegal, instituiu a remuneração por número de pacientes atendidos, o que gerou irregularidades, como, por exemplo, o pagamento de horas extras inexistentes e permitiu aos médicos não cumprirem a jornada total de trabalho.
Agora, pressionada pelo Ministério do Trabalho, Justiça do Trabalho, Tribunal de Contas do Estado e Ministério Público, a Prefeitura decidiu fazer valer o que determina o contrato dos profissionais. Como para muitos o salário pago por quatro horas, que gira em torno de R$ 3,2 mil, não compensa, alguns médicos já teriam pedido demissão e outros também estariam pensando em seguir o mesmo caminho. “Mais de 10 profissionais já se desligaram da Prefeitura. A continuar neste ritmo, poderemos ter um colapso no atendimento. O que queremos é encontrar uma alternativa para melhorar a remuneração dos médicos e evitar que haja uma desassistência”, disse Marco Aurélio Piacesi, presidente do Sindicato dos Médicos de Franca.
Propostas
Na reunião, que acontecerá a portas fechadas, os profissionais devem apresentar alternativas para melhorar a remuneração. Uma das que vêm sendo discutidas é a criação de metas de qualidade de atendimento. “A Prefeitura poderia instituir, por exemplo, índices de qualidade e meta para cada unidade de saúde, que, uma vez atingidos, garantiriam à equipe profissional bônus ou gratificações”, disse.
Outra proposta é exigir que a Prefeitura respeite o piso salarial da categoria, que é de R$ 10,9 mil. “Se ela pagar o nosso piso, não vejo motivo para os médicos pedirem demissão”, afirmou o presidente do sindicato.
Segundo Piacesi, as propostas serão votadas e aquelas que contarem com a maioria dos votos devem ser encaminhadas para a Prefeitura para discussão. “Queremos encontrar uma solução que garanta a qualidade do atendimento e uma remuneração justa aos médicos.”
O presidente do sindicato disse que, se não houver boa vontade por parte da Prefeitura em negociar, uma debandada de profissionais para a rede privada de atendimento é dada como certa. “Não há porque permanecer na rede municipal de Franca ganhando bem menos do que pagam as empresas privadas pelo mesmo tempo de serviço. É uma questão financeira e não política.”
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