Promotoria investiga mortes e insetos nos PSs


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Foto de arquivo mostra barata na calçada do complexo do Pronto-socorro Infantil e NGA no início do mês passado
Foto de arquivo mostra barata na calçada do complexo do Pronto-socorro Infantil e NGA no início do mês passado
A infestação do prédio onde funciona o Pronto-socorro Infantil por baratas, roedores e pombos e as quatro mortes suspeitas que ocorreram no início deste ano no Pronto-socorro Municipal “Álvaro Azzuz” agora são alvo de investigação por parte do Ministério Público Estadual. 
 
Segundo o promotor de Justiça da Saúde Pública, Eduardo Tostes, foram abertos procedimentos administrativos para acompanhamento das apurações das mortes suspeitas. “O foco principal é a fiscalização do funcionamento regular dos mecanismos administrativos de apuração e dos fluxos de atendimento, para eventual intervenção visando sua melhoria e adequação, se necessárias, junto às autoridades competentes”, disse ele, por e-mail.
 
O promotor disse que infelizmente não pode fornecer mais detalhes sobre as investigações, já que os procedimentos tramitam sob segredo de Justiça. “Neles são juntados documentos sigilosos, recebidos de outros órgãos, como o Cremesp, não havendo como franquear o acesso”. 
 
De janeiro a março deste ano, três mulheres morreram de forma suspeita depois de serem atendidas no Pronto-socorro “Álvaro Azzuz”. A primeira morte aconteceu no dia 8 de janeiro. A jovem Luara Pietro Ribeiro, de 25 anos, morreu depois de passar oito vezes pelo PS, ser internada duas vezes na Santa Casa e passar por duas cirurgias. 
 
Em fevereiro, foi registrada a morte da dona de casa Clésia Araujo Novais, de 36 anos. Segundo a família, ela teria morrido depois de receber uma dose de glicose no PS. Ela seria diabética. 
 
A terceira morte deste ano, aconteceu no início de março. A diarista Francisca Firmina morreu meia-hora depois de receber alta no PS. Todas as família acusam o Pronto-socorro Municipal de descaso e negligência. 
 
Baratas e ratos
Quanto às condições sanitárias e de atendimento do Pronto-socorro Infantil, o promotor disse que abriu um inquérito civil no início do mês passado para apurar as denúncias. As investigações estão em andamento. O promotor também não quis comentar detalhes para não atrapalhar os trabalhos. “O inquérito tem prazo de 180 dias para ser concluído, assim que tivermos um resultado ele será noticiado”. 
 
No início do mês de março, o Comércio teve acesso a um ofício emitido pelo diretor-administrativo do PS Infantil, Ricardo Veríssimo, no qual ele pede a interdição do prédio por causa da infestação de baratas, roedores e pombos que colocariam em risco a saúde das crianças atendidas no local. Em resposta ao ofício, a Secretaria Municipal de Saúde teria tido que faria uma reforma no prédio, o que não se concretizou. 
 
As denúncias também foram confirmadas pelo relatório da fiscalização feita pelo Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo). O documento divulgado na semana passado será encaminhado ao Ministério Público e anexado ao inquérito.
 
Nesta segunda-feira, a Prefeitura de Franca não teve expediente, por isso não foi possível falar com a secretária municipal de Saúde, Rosane Moscardini. Ela também não atendeu ao celular. 

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