Percepção equivocada


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A presidente Dilma Rousseff (PT), inspirada pelo seu antecessor e mentor, Luiz Inácio Lula da Silva, acredita que encontrou o problema maior das quedas de sua popularidade e das intenções de voto identificadas pelas últimas pesquisas de opinião: a falta de visibilidade dos seus programas sociais. Por isso, ela já determinou aos ministros que adotem a estratégia da multiplicação das marcas do governo. A ordem é para que todos os auxiliares, sempre que fizerem discursos públicos, citem programas sociais como Mais Médicos, Pronatec, Prouni, Brasil Sem Miséria e Minha Casa, Minha Vida.
 
O roteiro de reação deve ser seguido mesmo se o tema da cerimônia não estiver relacionado a esses assuntos e os ministros forem de outras áreas. Pressionada por eleitores que exigem mudanças, como revelou a última pesquisa Ibope divulgada na semana passada, Dilma quer destacar que muitos dos programas mencionados hoje por seus adversários são conquistas da administração do PT e representam ‘só um começo’. Uma campanha publicitária sobre o Mais Médicos entrará no ar na próxima semana. Para rebater as críticas da oposição de que o governo Dilma investe no ‘trabalho escravo’ de médicos cubanos, a propaganda na TV mostrará como o programa, com 14 mil novos profissionais, tem mudado a vida dos mais pobres, principalmente no interior. 
 
Esta visão da presidente (e do seu mentor político) pode estar equivocada. Afinal, nunca o governo federal gastou tanto em publicidade como no ano passado. O Planalto gastou R$ 2,3 bilhões para veicular propaganda em 2013. O valor é o maior já registrado desde 2000, quando começou a ser divulgado esse tipo de dado. Até o atual recorde estabelecido pela presidente Dilma Rousseff, o maior gasto havia sido o de 2009, sob o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com R$ 2,2 bilhões. Ou seja: não é por falta de visibilidade das ações do governo que as avaliações populares vão mal. Falta ao governo uma visão ampla do que o brasileiro precisa e reivindica.
 
A última pesquisa do Ibope, por exemplo, captou um desejo crescente de mudança. O índice de brasileiros que querem alterações profundas no governo chegou a 68% em abril, segundo o levantamento. O descontentamento com o governo Dilma aumentou muito entre os jovens e também entre tradicionais eleitores do PT, como beneficiários do Bolsa Família. A avaliação negativa da gestão, feita por pessoas que moram na periferia, subiu 11 pontos, passando de 27% no mês passado para 38% agora. São índices próximos ao que Dilma obteve no período posterior aos protestos de junho do ano passado. À época, Dilma defendeu mudanças que não saíram do discurso. E o brasileiro vê isso. A população exige que se tenha com hospitais e escolas, hoje sucateados, as mesmas exigências dos estádios para a Copa do Mundo. E também quer transporte público de qualidade e que o dinheiro de seus impostos seja aplicado em seu próprio benefício. Todos sabemos que isso não acontece. Dificilmente a estratégia (dissociada da realidade brasileira) da presidente Dilma, de olho em sua reeleição, trará os frutos que ela espera.
 
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