Esquecimento


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Uma das certezas que o Espiritismo nos dá sobre a vida é a de que berço e túmulo não são começo e fim, mas extremidades de vidas formais que se sucedem, enquanto necessárias, para as imprescindíveis experiências evolutivas do espírito imortal. Outra certeza é a de que o espírito carrega consigo a bagagem experiencial que lhe resulta da liberdade de agir, errando e acertando, mas sempre alavancando-o à evolução. Tem, portanto, consciência de haver errado ou acertado, razão para buscar a reencarnação redentora, cumprindo planejamento que, lúcido, estabeleceu, no plano espiritual, com ajuda de amigos que lhe são superiores. 
 
Em recente debate na televisão, um dos entrevistados afirmou que, para os que morreram não há mais lembrança do que experimentaram enquanto ‘vivos’. É um equívoco. O arquivo espiritual é implacável como consciência culpada ou tranquila. Simplesmente, não conseguimos apagar da memória aquilo que nos representa o juiz, a carga psíquica relativa ao que fizemos ou deixamos de fazer. Conforta-nos ou nos incomoda a memória dos atos. 
 
Que o digam as experiências de quase morte (EQM), conforme a ciência. Pesquisas sérias relatam inúmeros casos de pessoas que voltaram, podendo detalhar lembranças do que viram em estado considerado como de morte iminente. Dizem que, sob a alteração da consciência, presenciaram como que um filme das suas vidas até o momento. É o que relatam os inúmeros pesquisadores que se dedicam ao estudo do campo Psi-Teta, da Parapsicologia. Teta, letra de Tanatos, morte, em grego.
 
E, na espiritualidade, conservamos a nossa individualidade. Vale dizer, não perdemos a lembrança do que fizemos, se ela for importante no sentido de alavancar-nos ao progresso moral. Consciência de luz ou treva é resultado da nossa obediência ou não à lei.
 
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca

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