Produtividade em baixa


| Tempo de leitura: 2 min
Não é de hoje que o Comércio bate e rebate na tecla da falta de incentivos e investimentos capaz de fortalecer o setor produtivo nacional. Enquanto as tributações chegam a sufocar qualquer interesse da indústria brasileira em investir e prospectar novos mercados e nichos, não há de parte do governo uma intenção clara de fortalecer a indústria, dando-lhe condições de investir na expansão de sua planta produtora. Por isso, não nos causa espanto a reportagem da última edição da revista britânica The Economist. Trata-se de uma matéria bastante crítica ao mercado de trabalho no Brasil e em especial à produtividade dos trabalhadores. Com o título “Soneca de 50 anos”, a reportagem diz que os brasileiros “são gloriosamente improdutivos” e que “eles deveriam sair de seu estado de estupor” para ajudar a acelerar a economia. 
 
A reportagem diz que após um breve período de aumento registrado entre 1960 e 1970, a produção por trabalhador estacionou ou até mesmo caiu ao longo dos últimos 50 anos. A paralisia da produtividade brasileira no período acontece em contraste com o cenário internacional, onde outros emergentes como Coreia do Sul, Chile e China apresentam firme tendência de melhora do indicador. “A produtividade do trabalho foi responsável por 40% do crescimento do PIB do Brasil entre 1990 e 2012 em comparação com 91% na China e 67% na Índia, de acordo com pesquisa da consultoria McKinsey. O restante veio da expansão da força de trabalho, como resultado da demografia favorável, formalização e baixo desemprego”, diz a revista. 
 
A reportagem informa que uma série de fatores explica a fraca produtividade brasileira. O baixo investimento em infraestrutura é uma das primeiras razões citadas por economistas. Além disso, apesar do aumento do gasto público com educação, os indicadores de qualidade dos alunos brasileiros não melhoraram. Um terceiro fator menos óbvio é a má gestão de parte das empresas brasileiras. Há ainda a legislação trabalhista. A revista diz que muitas empresas preferem contratar amigos ou familiares menos qualificados para determinadas vagas para limitar o risco de roubos na empresa ou de serem processados na Justiça trabalhista. A revista também cita que a proteção do governo aos setores pouco produtivos ajuda na sobrevivência das empresas pouco eficientes. 
 
Nada além do que já se sabia de antemão. A indústria brasileira sofre com a inércia do Estado. E isto se espalha para todo o setor produtivo do País. Não há uma política clara que contemple os responsáveis pelo nosso crescimento econômico. E, por causa disso, perdemos todos: o setor produtivo, os empresários, os trabalhadores e a Nação. O resultado desta situação são os números pífios da economia nos últimos meses, a inflação que não cessa de subir e os índices de desemprego que são mascarados e puxados para baixo por causa de uma metodologia que não abarca os que não querem emprego e nem o procuram (a chamada geração “nem-nem”). O brasileiro precisa ficar atento às promessas da campanha eleitoral deste ano e cobrar uma política consistente para a indústria brasileira.
 
email opiniao@comerciodafranca.com.br
 
 

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários