De quatro em quatro anos, a população francana vai às urnas escolher o novo administrador da cidade e os vereadores que têm a incumbência de legislar em benefício dos eleitores que lhe deram os mandatos, além de fiscalizar o trabalho do Executivo. A cada pleito, as esperanças são renovadas no sentido de que a atuação dos eleitos faça jus à confiança que os eleitores colocaram em cada um dos seus representantes, cujos proventos são bancados pelo contribuinte. Porém, a cada legislatura a frustração é grande, quando se vê que a história continua: cada um no seu quadrado, cada qual buscando puxar a brasa para a sua sardinha, como já diz o antigo ditado.
Os vereadores de Franca esmeram-se em sessões de homenagens e em projetos criando datas para grupos específicos, sendo que muito há o que fazer, em termos de Legislativo, em benefício da cidade e de seus moradores. Além disso, como vários episódios demonstraram ao longo dos anos, não há uma fiscalização efetiva quanto à atuação do Executivo. A política do caminhão de terra e das homenagens continua dando a tônica ao trabalho dos vereadores, que não buscam acabar com a verdadeira inércia que toma conta da Câmara Municipal.
Para se ter uma ideia, a Câmara realizou sessão solene, segunda-feira, em homenagem ao Dia do Pastor Evangélico. No dia seguinte, foi criado o Dia do Nordestino, o Dia do Nortista e a Semana da Memória do Basquete. Também foram aprovadas moções de aplauso a uma construtora e para o prefeito de Ibiraci (MG) pela realização da festa de aniversário da cidade. Os vereadores ainda queriam mais: estava prevista a criação do Dia do Diácono Evangélico. A reação contrária de alguns parlamentares fez com que a proposta apresentada fosse adiada.
Alguns vereadores se dizem envergonhados pela ‘overdose’ de homenagens e títulos concedidos pela Câmara Municipal de Franca. Considerado pelos vereadores como o ‘rei das homenagens’ por causa do apetite que tem em promover sessões solenes, a maioria delas voltadas ao público evangélico, Pastor Otávio sugeriu que os colegas de plenário estariam com ciúmes. Uma besteira sem igual. Afinal, o papel do legislador é muito mais do que isso. O que se vê é que cada qual busca homenagear quem partilha de seus ideais, amigos e conterrâneos. É chegada a hora de repensar esta situação e, como dizem alguns vereadores, uma limitação é necessária.
Qualquer fato acaba motivando moções de aplausos e homenagens, sem que o mérito da ação seja devidamente mensurado. Se Franca estivesse numa situação privilegiada, poder-se-ia legar à Câmara uma função figurativa. Mas este não é o caso: enfrentamos problemas sérios no Ensino, na Saúde Pública, nos Transportes e em diversos outros setores que merecem uma atenção acurada. Os vereadores precisam deixar seus gabinetes, ouvir os seus eleitores e buscar soluções para os problemas que afligem o município. Eles precisam entender que foram eleitos para isso e que devem recompensar aqueles que lhes deram o mandato.
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