O evento quase fracassou nos dias de abertura. Mas conquistou sucesso no dia 19, assim que as lideranças indígenas deixaram a desconfiança e o medo de lado e apareceram para discutir seus direitos com os chamados ‘civilizados’. Foi um encontro importante.
“Ser índio não é estar nu ou pintado, não é algo que se veste. Ser índio é pertencer a outra cultura, que deve ser respeitada como qualquer outra. A cultura indígena faz parte da essência da pessoa. Não se deixa de ser índio por viver na sociedade contemporânea”, explica a antropóloga Majoí Gongora.
Os povos indígenas não vivem mais como em 1500. Hoje, muitos têm acesso à tecnologia, à universidade e a tudo o que a cidade proporciona. Nem por isso deixam de ser indígenas e de preservar sua cultura e seus costumes.
O Brasil ainda abriga 230 povos indígenas, que falam cerca de 180 línguas. Cada etnia tem sua identidade, rituais, modo de vestir e de se organizar. Mesmo estando nas cidades, a maioria preserva a tradição que recebeu dos pais, que por sua vez as recebeu de avós, que as herdaram de outros que os antecederam. É uma corrente onde uma geração entrega a outra o seu patrimônio cultural que inclui os saberes: língua, culinária, música, dança, pintura , cerimônias, rituais e um grande número de maneiras de encarar o mundo.
Quando duas culturas diferentes se encontram, podem acontecer trocas muito positivas para ambas as partes. No caso da colonização do Brasil pelos portugueses, a partir de 1500, data do descobrimento, os índios nos ensinaram muito mais que os portugueses a eles. Dos índios nos vêm muitas palavras usadas até hoje no vocabulário como jacaré, jiboia, jiló, mirim, guará e mais de duas centenas. Na culinária eles nos introduziram à maneira de fabricar farinha de milho e de mandioca. O artesanato que usa palha e cordas tem tudo a ver com eles.
Podemos continuar aprendendo muitas coisas com os povos indígenas. Em relação à sustentabilidade, por exemplo, eles nos ensinam a nos sentir parte da Terra e a cuidar melhor dela. Índios nunca poluem rios ou abatem árvores porque sabem por intuição que são bens finitos e não eternos, e por isso precisam ser cuidados porque são essenciais à vida.
Na TV Cultura
Uma aldeia estranha é o título da história deste sábado,12h30, da qual participa um garotinho apressado em crescer, chamado Inami, que vive numa aldeia na Amazônia, com os de sua tribo, os Bellacaibos.
No mesmo dia, às 17 horas, a cantora Marlui Miranda vai apresentar números que contam lendas: uma delas se chama Metunji Laren e narra a origem do mundo e do milho como fonte de alimentação.
Antes, às 15h30, uma reportagem exibe visita de repórteres às aldeias guaranis em São Sebastião, Parelheiros, Angra dos Reis, Ubatuba, lugares onde são entrevistads caciques e pajés.
Curiosidades dos índios
O termo índio é uma invenção europeia e provém de um “erro histórico”. Ao chegar às Américas, os europeus pensavam ter chegado nas Índias
O Parque Nacional do Xingu é uma das maiores áreas indígenas da América Latina, com 26 mil quilômetros quadrados
A Amazônia é a última região do planeta onde ainda vivem grupos humanos desconhecidos. Vivem em estágio bastante primitivo, caçando, pescando e, em alguns casos, cultivando pequenas roças.
Atualmente, calcula-se que 400 mil índios ocupam o território brasileiro, divididos em 200 etnias e 170 línguas.
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