Preços, o rastilho


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Volto à questão da elevação geral e persistente dos preços, a temida inflação. Preocupa, e seus efeitos são terríveis. 
 
A dona de casa francana é testemunha e vitima desse processo toda vez que vai à feira ou ao supermercado. A estiagem nas áreas produtoras vem pressionando o preço dos alimentos em face da escassez. Em março, o IPCA bateu nos 6,15% (relativo aos últimos 12 meses), quase o limite da meta estabelecida pelo Banco Central. 
 
O preço do tomate, também março, subiu 32,85%, enquanto que o feijão carioca aumentou 11,81%. Hortaliças e batata inglesa tiveram acréscimos de 9,36% e 35,05%, respectivamente. Não abrange só alimentos. 
 
A energia tem dois sérios problemas: o custo maior da geração termoelétrica e a reposição das perdas ocasionadas pela adoção da redução de tarifas, que, agora, será compensado. A política de preços do petróleo vai na mesma direção.
 
O IPCA é composto de nove subconjuntos, ou setores. Em seis deles (alimentação e bebidas, habitação, artigos de residência, saúde e cuidados pessoais, despesas pessoais e educação) o aumento superou os 6,5% da meta governamental. É de se perguntar, se vamos jogar fora o esforço de 20 anos do Plano Real...
 
O rastilho da elevação dos preços responde positivamente à indagação. Como se fosse a única medida de política econômica conhecida, só nos preocupamos com a manipulação da taxa básica de juros. 
 
Não se ouviu falar em rigoroso controle das contas públicas, com a redução dos gastos correntes e aumento das despesas de capital, abandono de medidas intempestivas, tomadas de maneira autoritária, que servem apenas como pirotecnia politica e que podem desencadear acontecimentos de forte impacto econômico e social e econômico Ai de nós, e da dona de casa.
 
Vicente P. Oliveira
Economista — FEA-USP

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