Overdose de homenagens provoca bate-boca na Câmara


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Considerado o ‘rei das homenagens’, Pastor Otávio insinuou que os colegas estão com ciúmes de sua atuação: ‘O nosso trabalho incomoda um pouco os demais vereadores’
Considerado o ‘rei das homenagens’, Pastor Otávio insinuou que os colegas estão com ciúmes de sua atuação: ‘O nosso trabalho incomoda um pouco os demais vereadores’
A Câmara realizou sessão solene, segunda-feira, em homenagem ao Dia do Pastor Evangélico. Ontem, foi criado o Dia do Nordestino, o Dia do Nortista e a Semana da Memória do Basquete. Também foram aprovadas moções de aplauso a uma construtora e para o prefeito de Ibiraci (MG) pela realização da festa de aniversário da cidade. Os vereadores ainda queriam mais: estava prevista a criação do Dia do Diácono Evangélico. A reação contrária de alguns parlamentares fez com que a proposta apresentada por Pastor Otávio (PTB) fosse adiada por uma sessão por suposta falha na redação do texto. “Vou apresentar emenda para que o diácono católico também seja homenageado”, disse Márcio do Flórida (PT). “Não é compatível homenagear todos na mesma sessão”, rebateu o pastor. O bate-boca estava armado.
 
A overdose de homenagens e títulos concedidos pela Câmara saturou até mesmo a paciência dos vereadores. “É um absurdo o que está acontecendo. Passamos a procurar o dia de quem e para quem. A Câmara está ridicularizando as homenagens e perdendo a credibilidade com esse excesso. Vou propor na reforma do Regimento Interno que seja feita uma limitação”, afirmou Luiz Vergara (PSB). Ele fará sessão solene dia 28 para comemorar o Dia das Trabalhadoras Domésticas.
 
Daniel Radaeli (PMDB), que realizou evento há uma semana para premiar os apaixonados por Franca, também defendeu a limitação. “Pelo jeito que está indo, vai faltar dia no ano para tantas homenagens. Estamos banalizando e passando por uma situação ridícula. Tem que dar um basta. O vereador está custando muito caro. Qual o custo-benefício para a Câmara? Precisamos acabar com tanta politicagem na Câmara”, disse o vereador que afirmou não ter havido gasto público na sessão solene que promoveu.
 
Autor do projeto de lei que criou ontem a Semana da Memória do Basquete e da reunião que homenageou voluntários do Hospital do Câncer, semana passada, Adérmis Marini (PSDB) também defendeu a limitação. “A Câmara não pode virar palanque eleitoral.”
 
Considerado pelos vereadores como o “rei das homenagens” por causa do apetite que tem em promover sessões solenes, a maioria delas voltadas ao público evangélico, Pastor Otávio sugeriu que os colegas de plenário estariam com ciúmes. “O nosso trabalho na Câmara incomoda um pouco os demais vereadores. A participação da população evangélica na Câmara é muito marcante, lotamos o plenário em todos os eventos. Isso incomoda os colegas.”
 
Com tantas homenagens, sobrou pouco tempo para tratar de assuntos relevantes. A Câmara aprovou projeto em regime de urgência fixando em 5,39% o reajuste dos servidores públicos. Outra proposta que passou é a que obriga supermercados a instalarem barras de segurança para motoqueiros amarrarem suas motos. 

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