Desde 1986 coleciono figurinhas da Copa do Mundo. E lá se vão sete edições! Guardei todos os álbuns, e, agora, tenho o prazer de incentivar meus filhos a continuar esse hobby. Este ano, nem precisamos comprar o álbum. Este Comércio nos presenteou. Agora, é preocupar com as figurinhas. Mas, algo mudou!
Com o advento da internet, a Copa no Brasil será muito diferente das outras, em relação a troca de figurinhas. A comunicação entre colecionadores é muito mais veloz.
A impressão que tenho é que há muito mais pessoas colecionando. Meu amigo Fernando Calixto, que trabalha no design do Comércio da Franca postou, no Facebook, dia desses, quais figurinhas tinha repetidas para troca.
Antes, tínhamos que promover encontros em determinado ponto da cidade ou trocar com amigos próximos. Era sempre de forma pessoal, e isso tornava a missão de completar álbuns, difícil.
Havia também o ‘bafo’, outra forma de disputar as figurinhas. (O que era o ‘bafo’? A gente colocava uma figurinha com o lado da foto ‘no chão, os outros que jogavam faziam o mesmo. Tirávamos par-ou-ímpar e, quem ganhava, dava um tapa nas figurinhas tentando fazer com que virassem o lado certo para cima. As que viraram, eram de quem dava o ‘tapa’.
Modéstia às favas, eu era muito bom nessa arte. Então, eu comprava menos ‘pacotinhos’ de figurinhas porque ganhava muitos no ‘bafo’).
As coisas mudaram. Hoje, as pessoas têm facilidade de fazer trocas das ‘repetidas’. Ainda assim, repetida a brincadeira, confesso que estou decepcionado com a Panini, editora dos álbuns e das figurinhas. O álbum tem 649 espaços para serem preenchidos com figurinhas dos jogadores dos times, mas nove, são de patrocinadores, e nada têm a ver com a Copa.
Essa imposição da editora ofende frontalmente o Código de Defesa do Consumidor ao impor e condicionar um produto a outro, o que caracteriza venda casada.
Na internet já há comunidades no Twitter e no Facebook, questionando. Há uma legião de insatisfeitos. A questão se tornou séria a ponto da Panini emitir uma nota à imprensa: ‘(...) Para não entrar em conflito com os colecionadores, a Panini admite fazer trocas destes cromos sem qualquer ônus para o colecionador que se sentir lesado. Basta o cliente insatisfeito enviar as figurinhas, identificadas como J1, J2, J3, J4, L1, L2, L3, L4 e W1 para o endereço da Panini...’. Ou seja, a lesão aos direitos dos consumidores está confessada, e causou indignação pelo país.
Atualmente, as relações de consumo estão muito mais comerciais em detrimento do consumidor. Colecionar figurinhas perdeu um pouco do antigo charme e se tornou uma poderosa ferramena de marketing, que obriga o consumo de marcas patrocinadores, e, porisso mesmo, pode ser lesiva.
Ainda assim, continuo com o hábito, como disse, com um hobby que não perco, e, a exemplo de tantos outros pais, passo aos filhos. Aproveito: tenho figurinhas para troca. Alguém tem interesse?
PREÇOS DOS OVOS DE PÁSCOA: O Procon de Franca realizou pesquisa de mercado entre os dias 17 e 19 de março, sobre preços praticados no comércio de ovos de páscoa, e encontrou diferenças de até 134,70%! A diferença foi encontrada no produto Batom ao Leite Garoto, de 130 gramas, nº 12. O consumidor que vai às compras deve estar muito atento. A pesquisa também foi feita com os pescados, e a maior variação de preços bateu nos 90,07%. A pesquisa está disponível em www.franca.sp.gov.br.
Denílson Carvalho
advogado, ex-coordenador do Procon/Franca - advogado@denilson.adv.br
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