Julgar não é tarefa fácil. No entanto, julgamos a todo o momento. Julgamos pessoas conhecidas, desconhecidas, amigos de trabalho, situações, etc.
Fato é que julgamos. E julgamos segundo nossos parâmetros. Também é fato que ninguém gosta de ser julgado, mas isso, habitualmente, ocorre nas mais variadas circunstâncias, gostemos ou não.
Há julgamento justo? Há? Justo para quem? Julgamento contém, em si, a visão de mundo de quem julga, e de quem é julgado.
Há casos que nos despertam compaixão, piedade, sentimento de misericórdia. E há outros, que suscitam raiva, desejo de justiça, inconformismo, e, até mesmo, desejo de vingança. Podemos acreditar nisso: muito, dos nossos julgamentos, são meio de vingança. O pior é que acreditamos que na vingança, acabamos com aquilo ou com aquele que nos causou mal. Ledo engano! Ao nos vingarmos, mantemos um elo, ligação com a pessoa e com o fato.
Caso seja realmente necessário julgar. é importante conhecer em profundidade os fatos, como ocorreram, quem são as pessoas envolvidas, como eram antes, durante e depois dos fatos.
É necessário ter amplitude de informações para que o julgamento seja o mais próximo do correto. É necessário também conhecer e perceber por qual motivo o julgamento se faz necessário, e o que se pretende com ele. É preciso tomar cuidado para não julgar os outros pelo que fizeram, se, na mesma situação, faríamos o mesmo.
A Semana Santa chegou. É um tempo adequado para rever alguns dos nossos conceitos de justiça, de amor, de solidariedade, compaixão e misericórdia, mesmo para quem não professa a fé cristã.
Com base nos ensinamentos de Jesus e da igreja podemos refletir sobre nossos atos e omissões, se não estamos julgando e condenando pessoas à morte.
Neste tempo que se encaminha para a Páscoa, é necessário, mais que tudo, ser firme e coerente com a lei, seja ela a de Deus ou dos homens.
Acir de Matos Gomes
Advogado, professor universitário
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