Petrobras & eleições


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Há pelo menos um mês a Petrobras tomou conta do noticiário. Primeiramente, por causa da compra da refinaria Pasadena que, de US$ 42 milhões iniciais teve preço final de US$ 1,3 bilhão, num negócio nebuloso que ainda não foi devidamente explicado. Logo em seguida, a operação Lava-Jato da Polícia Federal colocou atrás das grades um ex-diretor da estatal (que só foi demitido após ser preso). Depois, denúncias após denúncias foram surgindo, envolvendo as falcatruas que estariam sendo feitas contra um patrimônio nacional. Dinheiro teria passado de empreiteiras para bolsos de políticos e doleiros.
 
A má gestão foi capaz de reduzir o valor de mercado da Petrobras à metade. E até agora não houve quem viesse a público explicar as razões exatas disso. Afinal, fosse uma empresa privada — como já aconteceu dezenas de vezes —, diretores seriam demitidos e quem causou este rombo enorme com certeza seria responsabilizado criminalmente. O governo bate na mesma tecla: a oposição estaria usando a estatal com interesses político-eleitorais. Da mesma forma que o PT (Partido dos Trabalhadores) da presidente Dilma Rousseff fez em campanhas passadas, dizendo que o PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira) pretendia vender a Petrobras.
 
Com certeza a petroleira estará no centro da discussão eleitoral e poderá ser decisiva no pleito. Até a presidente, depois de um mutismo de semanas, resolveu falar. Ontem, durante evento em Pernambuco transformado em ato de campanha, Dilma Rousseff se comprometeu a investigar as denúncias que envolvem a estatal, sem citar que sua base aliada criou obstáculos para que o Congresso Nacional instale uma CPI para investigar as denúncias. E completou, dizendo que não ficará alheia à “campanha dos que, por proveito político, ferem a imagem da empresa”.
 
Porém, as palavras da chefe da Nação não convencem. O que fere a imagem da empresa é a ação dos seus e a intervenção do governo nos destinos da companhia, impedindo que ela reduza os seus prejuízos. O déficit com a conta-petróleo (a estatal tem que subsidiar a diferença nos preços do combustível comprado lá fora diante do que é vendido aqui) é o principal deles. O preço da gasolina segue controlado, abaixo do preço de custo, para tentar segurar a inflação. Diante disso é de se perguntar: quem está mesmo ferindo a imagem da petroleira?
 
Com certeza outros assuntos estarão no centro dos debates eleitorais como o baixo crescimento econômico do País nos últimos anos, a inflação que não recrudesce e a falta de investimento em infraestrutura, já que o perigo de um apagão de energia elétrica é real e não pode ser descartado. Os malfeitos na Petrobras — e revistas como Veja e Época trouxeram nesta semana mais denúncias graves — precisam ser investigados com rigor e seus responsáveis punidos, mesmo que um deles seja a presidente da República. Como Dilma disse ontem em seu discurso em defesa da estatal, “a Petrobrás é maior do que qualquer um de nós; tem o tamanho do Brasil” e não pode continuar sendo usada como instrumento político ou antro de corrupção.
 
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