Jerônimo Pinto frustra Jépy Pereira e recusa cargo de diretor da Câmara


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Foto de arquivo mostra Jerônimo Sérgio Pinto (d), em reunião entre a Prefeitura e o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais
Foto de arquivo mostra Jerônimo Sérgio Pinto (d), em reunião entre a Prefeitura e o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais
O assessor de auditoria e controle da Prefeitura, Jerônimo Sérgio Pinto, frustrou os planos de Jépy Pereira (PSDB) e recusou o convite para assumir a direção-geral da Câmara. Antes mesmo da criação do cargo ser aprovada pelos vereadores, seu nome havia sido escolhido a dedo pelo presidente do Legislativo municipal como aposta para tentar apaziguar o clima interno. Redução no salário e opinião contrária da família motivaram a decisão. Foi o terceiro “quase” diretor a dizer não para Jépy este ano.
 
A relação entre o presidente e os funcionários da Câmara é conturbada. Ele é processado por nove servidores e acusado de assédio moral pelas advogadas. Para evitar o contato direto e tentar controlar os adversários, Jépy planejou criar, em janeiro, os cargos de diretores financeiro, jurídico e geral. Escolheu os ocupantes das vagas, que seriam preenchidas por sua livre nomeação e exoneração, antes da aprovação do projeto.
 
Funcionária aposentada da Câmara, Célia Maria Teodoro Falleiros, foi indicada para assumir a chefia das Finanças. Ela recusou. Jépy ofereceu o comando da diretoria-jurídica para Denílson Carvalho, que também não aceitou. Com as recusas, ele desistiu de criar esses dois cargos e seguiu em frente apenas com o plano de implantar a função de diretor-geral.
 
O nome de Jerônimo Sérgio, na avaliação de Jépy, cairia como uma luva. Pouco utilizado pelo prefeito Alexandre Ferreira (PSDB), ele é capacitado e tem bom tem trânsito entre vereadores e servidores. O assessor gostou da ideia, mas afirmou que só mudaria para a Câmara se não tivesse o salário reduzido. Projeto criando o cargo de diretor foi aprovado em sessão extraordinária realizada dia 23 de janeiro.
 
O planejamento de Jépy começou a ruir nos dias seguintes, quando a Procuradoria-Jurídica do município deu parecer contrário à solicitação feita por Jerônimo para que fosse mantido o prêmio que recebe por produtividade como fiscal de tributos concursado da Prefeitura. O presidente ainda tentou contornar a questão financeira e apresentou projeto reajustando o salário do diretor de R$ 3,1 mil para R$ 6 mil. Com a reação contrária, Jépy desistiu de dobrar os vencimentos e manteve os valores iniciais.
 
Na manhã de ontem, Jerônimo Sérgio encaminhou ofício à Câmara dizendo não ao convite por conta das condições impostas para a sua cessão. “O motivo principal é a questão da remuneração. Como o Jurídico da Prefeitura entendeu que o prêmio de produtividade que recebo não poderia ser mantido, eu teria um prejuízo de cerca de 50%, o que inviabilizou a mudança”, disse.
 
Segundo Jerônimo, a interpretação “equivocada” dada ao caso, que teria misturado o processo legislativo de regularização do cargo de diretor-geral da Câmara com sua situação funcional e pessoal, provocou transtornos particulares, fazendo com que seus familiares se mostrassem contrários à aceitação do convite. “O caso ganhou dimensão imprópria. Eu não seria beneficiado com a discussão do salário pelos vereadores. Devido ao meu tempo de serviço e aos benefícios conquistados, minha remuneração é diferente daquela fixada para o diretor-geral. Agora, a Câmara terá dificuldades para preencher o cargo com as condições que estão estabelecidas”, prevê.

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