Agentes da Fundação Casa de Franca estão de braços cruzados desde a última sexta-feira (11). De acordo com um grupo de grevistas que tem protestado em frente a unidade desde então, praticamente todos os trabalhadores aderiram à paralisação.
Na tarde de ontem, a diretora da unidade local, Rosângela Caetano, registrou boletim de ocorrência após grevistas impedirem a saída de uma viatura que levaria um adolescente a uma audiência em Miguelópolis (SP).
De acordo com os trabalhadores parados, a unidade de Franca possui 64 agentes, mas apenas três e os coordenadores trabalharam ontem. A assessoria de imprensa da Fundação Casa informou, em nota, que por questão de segurança não informa o número de servidores por centro socieoducativo e que, mesmo com o bloqueio na saída de adolescentes, os serviços na unidade estavam funcionando dentro da normalidade. A assessoria da Fundação também não informou a capacidade de internação da unidade e nem quantas vagas estão ocupadas atualmente.
Apesar de lutarem por reajuste salarial, os funcionários paralisados garantem que o principal objetivo da greve é a melhoria das condições de trabalho. Segundo eles, a Fundação Casa não oferece todos os equipamentos necessários para garantir a efetiva realização do trabalho. “O único equipamento de proteção que temos é a luva que, às vezes, eles fornecem”, disseram funcionários da unidade local. Além da queixa de equipamentos, os funcionários também relatam insegurança por sofrerem constantes ameaças.
Pauta
A categoria reivindica 23,67% de reajuste salarial, aumento do vale-refeição e, principalmente, mais segurança e melhores condições de trabalho. Na tarde de ontem, trabalhadores da Fundação Casa e representantes da entidade participaram de uma audiência de conciliação no TRT-2 (Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região), em São Paulo.
De acordo com o diretor do Sitraemfa (Sindicato dos Trabalhadores em Entidades de Assistência e Educação à Criança ao Adolescente e à Família do Estado de São Paulo), Allan Márcio, o desembargador Francisco Ferreira Jorge solicitou que os trabalhadores voltem ao trabalho, com a promessa de que a Fundação Casa não fará retaliações contra os grevistas, não descontará os dias parados e manterá um canal de negociação no TRT-2. Em assembleia agendada para hoje, às 14 horas, em São Paulo, os trabalhadores votarão se aceitam ou não a proposta.
Em nota, a assessoria de imprensa da Fundação Casa informou que neste ano propôs, entre outros itens, reajuste salarial de 3,97% e reposicionamento por ajuste de curva de 2,20% e conversas permanentes sobre as questões de segurança nas unidades.
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