São Paulo, a maior cidade brasileira e principal centro econômico do país é, hoje, ameaçada pelo desabastecimento de água potável. Culpa-se a seca, mas é questão anterior.
Desde 2008, os reservatórios do sistema que serve a capital e região metropolitana não se enchem totalmente durante o período de chuvas. Mesmo assim, os responsáveis pelo gerenciamento, embora incentivem o povo a economizar, resistem a admitir racionamento, rodízio e outras medidas restritivas. Parte da população já reclama.
Se os reservatórios não se completam, os encarregados deveriam ter adotado paulatinas medidas corretivas que pudessem ter evitado a atual crise.
Deveriam já na época ter investido em novas fontes de abastecimento, reforçado o programa de economia e contra desperdício e, principalmente, trabalhado com mais zelo na eliminação das perdas de água tratada .
Adotadas, essas medidas não despertariam a ‘guerra da água’ que agora se ameaça deflagrar entre São Paulo e Rio de Janeiro pelo Rio Paraíba, nem reclamos do interior quanto a águas desviadas das nascentes do Rio Piracicaba.
Há muito é conhecida a teoria de que o mundo poderá, ainda, guerrear por causa de água.
Mas tudo só serve ao discurso dos políticos, manutenção de ONGs e a outros fins do que à preservação do nosso patrimônio-água. A despoluição dos rios, embora tenha avançado nos últimos anos, ainda está muito distante do ideal.
Os governos, responsáveis pelo empreendimento não são afeitos à continuidade de obras iniciadas por seus antecessores.
Já passou da hora de tratarmos com maior seriedade os nossos rios, lagos, represas, abastecimento de água e atividades correlatas. Esse estratégico setor não pode continuar sob a gestão de políticos e funcionar ao sabor dos interesses eleitoreiros. Se continuar assim, a ‘guerra da água’ será inevitável...
Dirceu Cardoso Gonçalves
Tenente, diretor da Associação de Assistência Social dos Policiais Militares de São Paulo
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