Eles estão isolados e sofrem com o trânsito para chegarem em casa, convivem diariamente com mau cheiro, não têm áreas de lazer e se trancam dentro das residências com medo da violência. Apesar de representarem uma significativa parcela da população, os moradores dos bairros Parque Esmeraldas I e II, Jardim Simões, Jardim Zelinda e Residencial Quinta do Café, na região oeste de Franca, se sentem esquecidos. Eles apresentaram uma série de reivindicações no último dia 4, durante o programa Hora da Verdade Itinerante transmitido ao vivo pela rádio Difusora AM do Parque Esmeraldas. O programa apresentado por Leandro Vaz com comentários de Corrêa Neves Júnior percorre todas as sextas-feiras um bairro de Franca ou região para levantar os principais problemas da comunidade.
Localizados próximo ao Distrito Industrial, o acesso aos bairros só é feito pela avenida Wilson Sábio de Mello, o que exige paciência dos motoristas principalmente nos horários de pico. Como a entrada e saída das fábricas acontecem no mesmo horário e pela mesma via, o trânsito fica congestionado e dificulta a passagem para a região. Quem precisa se deslocar para um compromisso, precisa sair com muito tempo de antecedência para não chegar atrasado. “Falta uma campanha para incentivar carona comunitária entre os funcionários das fábricas. Ao invés de construir viaduto na avenida Champagnat, tinha que fazer esse viaduto aqui na rotatória do bairro São Joaquim”, disse o líder comunitário do Parque Esmeraldas, Jonas Carvalho.
Vencido o obstáculo do trânsito, quem chega à região é recebido com um odor característico dos curtumes e também do matadouro existente nas proximidades. É comum inclusive avistar muitos urubus pelo local. Segundo os moradores, o odor em muitos dias se torna insuportável e causa dores de cabeça.
Outro empecilho enfrentado é a falta de asfalto em pequenos trechos de ligação entre os bairros, o que dificulta o deslocamento dos populares e desvaloriza a região. O designer César Fernandes de Sousa, morador do Quinta do Café, busca a filha todos os dias em uma escola infantil do Jardim Zelinda e faz parte do percurso pela terra, enfrentando poeira, mato e lixo. “É bem cansativo caminhar nas ruas de terra. O asfalto ajudaria bastante, assim como a construção de uma passarela entre os dois bairros.”
(In)Segurança
Quem mora nos bairros também pede mais policiamento para combater a ação de marginais. Por ser isolado e ter pouco movimento, é comum na região a ocorrência de furtos em residências. Somente no Quinta do Café, os moradores estimam que das 448 casas do residencial, metade já foi alvo dos ladrões. A preocupação com segurança inclusive é notada nos imóveis com muros altos, fechaduras extras e cerca elétrica. “Não tem policiamento nenhum, por isso todo mundo se tranca dentro de casa, levanta o muro e coloca cerca. Já me levaram ferramentas e material de construção”, disse o carpinteiro José Aparecido Barbosa, morador do Parque Esmeraldas II.
Para a dona de casa Juliana, que preferiu não revelar o sobrenome, a Prefeitura é omissa com os moradores daquela região e não realiza investimentos considerados necessários para a população. “No bairro, por exemplo, não tem praça e áreas de lazer para as crianças. É preciso brincar na rua, pois os campinhos de terra existentes por aqui são perigosos para deixar um filho. Aqui não há ninguém que olhe por nós.”
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