Na tarde da última quarta-feira, a maior greve de servidores municipais de Franca chegou ao fim. Acordo assinado entre representantes do governo Alexandre Ferreira (PSDB) e do sindicato da categoria colocou um ponto final na paralisação que levou às ruas cerca de dois mil funcionários e suspendeu o expediente em escolas e Unidades Básicas de Saúde. A assinatura do documento no TRT (Tribunal Regional do Trabalho), em Campinas, foi o capítulo final de uma luta por melhores condições de trabalho e remuneração que durou 15 dias. Mas está longe de ser uma unanimidade.
O acordo prevê aumento de 5,39%, cartão alimentação de R$ 230 em agosto deste ano. O mesmo valor deve ser pago até dezembro. Em 2015, será reajustado para R$ 240. Além disso, dos sete dias de paralisação efetiva, o acordo concede abono para cinco e determina a compensação de dois. Os servidores queriam mais. As negociações começaram com um pedido de reajuste de 15%, implantação de cartão-alimentação de R$ 450, criação de um plano de carreira para servidores da área da Educação, etc.
O prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) adotou o discurso de que, com o orçamento apertado, não era possível fazer muito. De início e antes mesmo de negociar, propôs aumento de 4,97% e um vale-alimentação de R$ 200. Enviou projeto de lei para Câmara sem discutir com os trabalhadores. Foi o estopim. Depois de protestarem no Legislativo e ainda assim não serem ouvidos, os servidores decidiram partir para a paralisação. A greve começou no dia 24. As negociações não evoluíram. O prefeito decidiu decretar estado de emergência no dia 29. Procurou a Justiça do Trabalho para colocar um fim no movimento. Não adiantou. Unidos, os servidores continuaram parados. Parte só voltou ao trabalho depois que a Justiça concedeu liminar à Prefeitura determinando a normalização das escolas e na área da Saúde. Para o restante, a greve continuou.
Apenas no dia 1º de abril, na primeira audiência de conciliação no TRT, é que os servidores, depois de a Prefeitura aceitar voltar às negociações, decidem acatar o pedido do desembargador Luiz Roberto Nunes e suspendem a greve. Na audiência, o juiz sugere vale alimentação de R$ 280 e índice de correção de 5,39%. O sindicato diz sim. A Prefeitura pede tempo. O juiz concede uma semana de prazo.
Na última quarta-feira, o prazo se esgotou. Na nova audiência de tentativa de conciliação, o inesperado aconteceu. O presidente do Sindicato dos Servidores Municipais, Luís Fernando Nascimento, que promoveu e organizou a greve, decidiu voltar atrás. Contrariando o que já havia sido debatido nas assembleias, aceitou todos os termos impostos pelo Executivo sem reclamar.
Para boa parte dos grevistas, a assinatura do acordo foi uma derrota. “Meu sentimento é de revolta. O Sindicato não respeitou a decisão da maioria, de não aceitar a proposta da Prefeitura. Não concordo com o acordo”, disse uma servidora da Secretaria de Educação que pediu para não ser identificada. Outro servidor, da Secretaria de Serviços e Meio Ambiente, disse estar inconformado. “Nadamos, nadamos e morremos na praia. Se era para aceitar isso, por que o sindicato não aceitou quando começou a greve?”, disse ele que também não quis se identificar com medo de represálias.
Outros servidores apoiaram a assinatura. A servidora Beth Guimarães foi uma das que defenderam o presidente. “Acho que o Fernando foi muito sensato em fazer esse acordo. Afinal não perdemos nada. Tinhamos apenas o mínimo e, se ele não fizesse o acordo, ficaríamos com o mínimo. Vamos também ser sensatos e entender que o que o Fernando fez foi o melhor”, escreveu ela no Facebook.
No grupo do Sindicato dos Servidores Municipais de Franca no Facebook a divisão entre os que apoiam a decisão do sindicato e os que são contra é nítida e tem gerado centenas de comentários a ponto de o próprio Luís Fernantentar justificar sua postura. “Entendo a decepção de alguns dos servidores que não queriam a assinatura deste acordo com a Municipalidade, que queriam ‘pagar pra ver’, contudo, outros sindicatos e pessoas que já teriam participado de dissídios nos aconselharam que era melhor fazer acordo, que fugíssemos do dissídios...”, escreveu.
Na manhã de sábado, os servidores fizeram uma assembleia a para a homologação do acordo e a confirmação dos outros pontos da pauta de reivindicações.
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