Inteligência popular


| Tempo de leitura: 3 min
Confira as últimas edições deste Comércio: aumenta o número de assaltos a residências. A bandidagem, que tem tempo, estuda hábitos das famílias durante dias. Depois, planeja. Escolhe o melhor dia, a melhor hora, o momento em que não há riscos para eles. Então ataca, faz reféns, ameaça, tortura, leva bens duramente conquistados, machuca física e mentalmente. Deixa sequelas dolorosas. Raramente os bandidos que agem em furtos ou roubos a residências são presos. Se são, sem flagrante, voltam às ruas para repetir o crime. Nossas leis garantem.
 
O CENÁRIO: Os foras da lei que se especializam neste tipo de crime sabem que os órgãos de segurança não conseguem trabalhar com eficiência. Onipresença policial não existe. A isso se soma a certeza de que a repressão policial não chegará a tempo. 
 
O que fazer? Deixar para lá o status quo - organismos de segurança milhões de anos luz distantes das reais necessidades da população e um Judiciário engessado pelo dever de obediência cega a leis que garantem direitos a bandidos e respeito algum à sociedade que paga impostos, sem que seus (confiáveis) agentes deixem a confortável posição e se insurjam, exigindo as reformas penais, cíveis e éticas indispensáveis — e armar-se de inteligência! Há caminhos simples já em prática, que podem ser replicados. Penso que o único problema para multiplicar geometricamente ideias, seja fazer o cidadão hoje preso em casa para que o bandido ande livre, praticar solidariedade, aproximar-se do vizinho do lado, criar com ele uma fórmula de segurança. Se acontecer, formaremos organismo vivo finalmente capaz de fazer diferença.
 
VIZINHO SOLIDÁRIO: Um bom  ‘case’ é o projeto ‘Bom Vizinho’, criado há nove anos em Maringá (PR), pelo delegado Rogério Antônio Lopes. O princípio é simples: como as polícias não são onipresentes, as pessoas comuns podem fazer o papel. As ferramentas são integração e cooperação: ‘o Bom Vizinho promove segurança preventiva. Cada cidadão fiscaliza e protege seu vizinho’.
 
Está estruturado na formulação de células integradas por quatro vizinhos que assumem a responsabilidade de se monitorarem. Um dos vizinho olha a casa de outros três vizinhos - os dois laterais e o da frente. Repete-se até atingir uma grande área, de modo a que nenhuma moradia fique de fora. Dependendo de particularidades, são acionados sirenes, holofotes, apitos, o que venha a ser combinado entre as células. Os vizinhos de cada célula devem se conhecer, interagir, trocar telefones, avisar quando saem e quando retornam. 
 
PRATICANDO: A construção da comunicação rápida necessária pode ser cumprida com o uso do Whatsapp e redes sociais. Se há agentes de segurança que a célula conheça, pode-se incluí-los na comunidade. Pelo menos em Franca seria o caminho mais adequado para ter resposta urgente. Ligar ao 190 baseado em Ribeirão Preto e esperar que chegue auxílio rápido é o mesmo que abrir mão da segurança pública constitucional.
 
REFLEXÃO: Tristes leis trabalhistas brasileiras que afastam doentes com câncer, do exercício de seus  trabalhos — o melhor de todos os remédios, a melhor de todas as terapias. Tenho certeza absoluta que, mesmo sem medicamentos capazes de curar — a comunidade científica mundial já encontrou a cura, mas não a verá disponibilizada antes que incontáveis dinheiros pousem nos cofres de multinacionais —, suas vidas seriam diferentes, menos tristes. (Homenagem póstuma à obstinação ao trabalho  radiofônica e jornalístico, bem como ao sorriso, à alegria de viver e à amizade desinteressada que nos dedicou, para honra nossa, Daniel Rodrigues. Que esteja com Deus e seus ‘santos preferidos’, pela eternidade).
 
 
Luiz Neto
jornalista, editor de Opinião - luizneto@comerciodafranca.com.br
 

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários