Todas as últimas notícias envolvendo a violência que grassa no mundo e torna os cidadãos reféns em suas próprias casas mostra que, no Brasil, a situação se torna pior a cada dia. Aqui mesmo em Franca, o tumulto envolvendo a Polícia Militar e moradores da vila São Sebastião, que virou praça de guerra, dá bem a dimensão do que vem ocorrendo. Há algumas décadas, a violência ainda era um problema de metrópoles, cidades com milhões de habitantes. Por aqui, era fato isolado. Ainda se podia dormir de janelas abertas, os muros não escondiam as casas e era possível andar tranquilamente pelas ruas. Hoje, o quadro é totalmente diverso: a violência tornou-se endêmica, tal qual uma doença infecciosa. Imiscuiu-se em toda a sociedade, em cidades pequenas ou grandes, atingindo pobres ou ricos. É o nosso grande mal.
Por isso não causa estranheza o resultado do levantamento do Escritório sobre Drogas e Crime da ONU (Organização das Nações Unidas), que lista ranking com base em assassinatos ocorridos no ano de 2012. Maceió é a quinta cidade em homicídios por cada 100 mil habitantes. Fortaleza está na sétima posição e João Pessoa, em nono. A América Latina desbancou a África como a região mais violenta. Já Honduras é hoje o país com maior número de assassinatos por 100 mil habitantes. O índice registrado naquele país mostra o que os pesquisadores chamam de ‘situação fora de controle’. O segundo país mais violento é a Venezuela, seguido por Belize e El Salvador.
De acordo com a pesquisa da ONU, foram assassinadas no mundo 437 mil pessoas em 2012, das quais 36% nas Américas, a maior parte na Central e na do Sul. O Brasil é o País com mais cidades na lista da violência (11), seguido pelo México, com seis -- ambos são os países mais populosos da América Latina. Venezuela e Colômbia têm três cidades e Honduras e Estados Unidos, duas. Além de Maceió, Fortaleza e João Pessoa, foram listadas pelo levantamento da ONU Natal (12ª posição); Salvador (13ª); Vitória (14ª); São Luís (15ª); Belém (23ª); Campina Grande (25ª); Goiânia (28ª); e Cuiabá (29ª).
Para os pesquisadores da ONU, o elevado índice de homicídios na América Latina está ligado ao crime organizado e à violência política, que persiste há décadas nos países latino-americanos. A maior parte das mortes (66%) foi provocada por armas de fogo. As cidades mais violentas do mundo são: San Pedro Sula (Honduras), Caracas (Venezuela), Acapulco (México) e Cali (Colômbia). Ao que parece, em que pese o grande número de relatórios e pesquisas apontando a realidade que o Brasil vive hoje diante da violência, nossas autoridades ainda não se conscientizaram de que estamos diante de uma situação que precisa ser discutida e resolvida sem mais tardar. Relegar a população à sua própria sorte é uma atitude que pode deixar o País à mercê da violência e do crime organizado. Ainda mais quando se sabe que quanto mais o tempo passa, mais as instituições oficiais se enfraquecem diante da barbárie para a qual a maioria de nós não encontra uma resposta plausível no que diz respeito a reverter a situação.
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