‘A culpa não foi do Pronto-socorro’, diz diretor técnico Renato Del Bianco


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O diretor técnico do PS ‘Álvaro Azzuz’, o médico Renato Del Bianco (ao centro), prestou depoimento ontem à CEI: ‘Eu não me sinto culpado pela morte dela (Luara Prieto)’
O diretor técnico do PS ‘Álvaro Azzuz’, o médico Renato Del Bianco (ao centro), prestou depoimento ontem à CEI: ‘Eu não me sinto culpado pela morte dela (Luara Prieto)’
O diretor técnico do Pronto-socorro “Álvaro Azzuz”, o médico Renato Del Bianco, prestou depoimento ontem à CEI (Comissão Especial de Inquérito) criada pela Câmara para apurar mortes suspeitas no PS e as condições de atendimento no Pronto-socorro Infantil. Aos vereadores, disse que a primeira etapa das investigações envolvendo a morte da jovem Luara Prieto Ribeiro, 25, foi encerrada. Segundo ele, a Comissão de Ética do PS concluiu que não houve falhas no atendimento prestado à jovem.
 
Luara morreu depois de ser atendida oito vezes no “Álvaro Azzuz”, passar por duas internações na Santa Casa e sofrer duas cirurgias. Sua morte é uma das investigadas pela CEI. 
 
Ontem, o diretor técnico e um dos médicos a atender Luara no PS voltou a afirmar que não houve erros no atendimento prestado. “Eu não me sinto culpado pela morte dela. Se houve algum erro neste caso, ele não ocorreu dentro do PS”, disse em seu depoimento à CEI.
 
Del Bianco já havia afirmado “ter certeza absoluta de que não houve falha no caso de Luara”, durante uma entrevista coletiva concedida no final de fevereiro. 
 
Segundo ele, a Comissão de Ética do PS é formada por médicos ligados ao pronto-socorro que analisam a conduta médica nos atendimentos. “Eles tiveram acesso ao prontuário e aos exames. Analisaram a postura dos médicos e concluíram que não houve erro. Nas vezes em que o caso agravou, encaminhamos a Luara para a internação na Santa Casa. Tudo que podíamos fazer, fizemos.”
 
Ele ainda falou sobre a falta de médicos no PS. “O maior problema da saúde pública de Franca é a falta de profissionais. No Pronto-socorro, esse já é um problema crônico.”
 
Del Bianco ainda disse que, como diretor técnico, já denunciou muitos médicos ao Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo). “São profissionais que não cumpriram ou abandonaram seus plantões, que faltaram sem justificativa.”
 
Ele ainda considerou a estrutura do PS satisfatória. “O problema lá não é a infraestrutura. É a falta de profissionais.” Ele não quis comentar sobre os plantões médicos e o pagamento de horas extras. “Eu não faço esse controle. Não é minha função. É do diretor administrativo. Não fiscalizo médicos.”
 
Sem resposta
Além de Renato Del Bianco, os vereadores Valéria Marson (PSDB), Márcio do Flórida (PT) e Laercinho (PP), que substituiu Daniel Radaeli (PMDB), também ouviram ontem o diretor administrativo dos dois PSs Ricardo Veríssimo Junior, que pouco acrescentou. Apesar de ter sido dele a autoria do ofício que pediu a interdição do PSI por falta de condições sanitárias, ele afirmou não ter condições de dizer se o problema é grave e se pode afetar a saúde das crianças que são atendidas. “Não sou técnico. Não tenho como dar essa informação.”
 
Ele repetiu que o prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) deve fazer uma reforma no prédio do PSI, mas não citou datas. 
 
Apesar de ser o responsável pela escala médica e pela administração, Veríssimo não soube dizer quantas horas extras são feitas pelos profissionais médicos nos dois PSs nem quanto é gasto com isso. “Eu não tenho esse controle. Não mexo com isso.”
 

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