A palavra é um pouco estranha. É arrevesada, de pouco uso, e entendida apenas pelos que estão no ramo, isto é, no crédito e na cobrança.
Significa falta de observância de um contrato, parcial ou integralmente. Em versão mais simples, é a falta de pagamento, o calote, enfim.
Nas operações de crédito, carrega consigo consigo uma série de consequências. É parte do risco da operação. Afeta a taxa de juros a ser cobrada na operação e onerará, por último, o tomador do empréstimo.
A graduação do risco (isto vale também para as nações) é parte integrante dos negócios de cessão de crédito. A lição é clara: ‘risco maior, taxa de juros maior, consequentemente, custo mais elevado da operação’.
Depois do risco vem o prazo. Prazo é fundamental e varia segundo a natureza do negócio.
No crédito imobiliário, normalmente, vai além dos cinco anos; financiamentos para grandes obras, supridos por instituições multilaterais, têm prazos igualmente longos, além da carência, estabelecida muitas vezes em anos.
Garantias, completam o quadro. Chegam a mobilizar a soberania nacional para respaldar a segurança de que o tomador irá, de fato, honrar compromissos.
No crédito para consumo, a politica econômica do governo não tem sido capaz de fazer a economia crescer. Mesmo com facilidades na concessão e desonerações pontuais para determinados grupos de produtos.
Tanto as estatísticas do Banco Central, como as da PEIC (Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor), coordenada pela CNC (Confederação Nacional do Comércio), indicam que a inadimplência vem se mantendo em níveis elevados. No primeiro trimestre, o percentual de famílias com contas em atraso representadas por cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, empréstimo pessoal, prestação de carro e seguro chegou a 61,0%, segundo a PEIC; 7,1% relataram não ter condições de pagar suas contas em atraso. Maus presságios?
Vicente P. Oliveira
Economista, FEA-USP
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