O prazo de uma semana concedido pelo TRT (Tribunal Regional do Trabalho) para que a Prefeitura de Franca e o Sindicato dos Servidores Municipais chegassem a um entendimento terminou ontem, terça-feira. Mais uma vez, sem acordo. O valor do vale-alimentação é o ponto central das discussões. Os servidores já aceitaram baixar o pedido de R$ 450 para R$ 280, como sugerido pelo desembargador Luiz Roberto Nunes, mas a Prefeitura bateu o pé e não quer pagar mais que R$ 230.
A última reunião na tarde de ontem durou cerca de uma hora. A imprensa não foi autorizada pela Prefeitura a acompanhar as discussões. Do lado de fora, o que foi possível perceber é que a maior parte do tempo foi ocupada pela troca de acusações. A negociação mesmo durou pouco. “Infelizmente, mais uma vez, não avançamos. Eles não apresentaram nada de novo. Insistem que é impossível melhorar a proposta. Então, não temos outra alternativa do que esperar que amanhã (hoje) o desembargador os convença a mudar de ideia”, disse Luís Fernando Nascimento, presidente do Sindicato, ao deixar a reunião.
Luís Fernando disse que a única alteração foi o fato de a Prefeitura ter concordado em conceder 5,39% de aumento e com a compensação dos dias parados. “O problema é que eles condicionaram esses fatores ao vale alimentação de R$ 230, que não podemos aceitar”.
Os secretários municipais Humberto Mazza (Recursos Humanos e Administração) e Neide Lopes (Finanças) e o procurador geral do município, Joviano Mendes da Silva, que participaram do encontro, não quiseram dar entrevista nem comentar as declarações feitas pelo presidente do sindicato.
Na última terça-feira, dia 1º, foi realizada em Campinas a primeira audiência de tentativa de conciliação no processo de dissídio coletivo aberto pela Prefeitura. Na ocasião, o desembargador Luiz Roberto Nunes concedeu o prazo de uma semana para que a Prefeitura e o Sindicato se entendessem quanto ao índice de reajuste da categoria, o valor do vale-alimentação e como ficariam os dias parados. Também determinou que os servidores voltassem ao trabalho imediatamente. Uma nova audiência ficou marcada para esta quarta-feira, dia 9, às 13h30.
Tanto os representantes da Prefeitura como os do Sindicato confirmaram que estarão presentes. Se hoje as partes não chegarem a um acordo, as divergências deverão ser resolvidas pelo Tribunal, em um eventual julgamento do dissídio.
Sobre a volta da greve em caso de não acordo, o presidente do Sindicato preferiu não comentar. “Vamos esperar o resultado da audiência de amanhã (hoje) para então discutirmos esse assunto com os servidores. Nossa disposição é para a negociação”, disse o sindicalista.
Projeto adiado
O pedido de retirada do projeto enviado pelo prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) que prevê a concessão de um aumento de 5,39% para os servidores não foi votado nesta terça-feira pelos vereadores como estava previsto.
A pedido dos próprios servidores, o vereador Luiz Carlos Vergara (PSB) pediu vistas ao requerimento de retirada apresentado pelo prefeito. Com isso, a votação que ocorreria hoje acabou sendo adiada por uma semana. O requerimento só deve ser colocado na pauta novamente na próxima terça-feira, dia 15.
Se não for retirado, o projeto que prevê o aumento de 5,39% continuará tramitando na Câmara Municipal e também irá à votação. Se for aprovado, obrigará a Prefeitura a conceder o reajuste ou então, vetar o projeto. O veto, por sua vez, ainda pode ser derrubado pelos vereadores.
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