A corrupção continua sendo uma das grandes mazelas do Brasil. O noticiário dos últimos dias tem deixado claro que o País tem perdido milhões de reais nos últimos tempos em razão de falcatruas e negociatas que se multiplicam, vilipendiando e arrasando cofres e grandes patrimônios nacionais como a Petrobras, que hoje vale metade de seu valor de cinco anos atrás. No fim das contas, todos os prejuízos explodem no bolso do contribuinte brasileiro, que hoje arca com uma das mais altas cargas tributárias do mundo sem que grande parte disso seja revertida em benefícios à nossa população.
Em um país sério, todos malfeitos teriam causado escândalos e motivado investigações rigorosas que, além da responsabilização judicial, os seus operadores teriam que devolver tudo o que embolsaram. Nos Estados Unidos, uma candidatura à presidência foi por terra por causa de fotos inapropriadas, com conteúdo pornográfico. Um governador também se vê na mira da polícia por causa do fechamento de um túnel que liga duas cidades. Já na Espanha até o genro do rei Juan Carlos está sendo processado (e chegou a ser preso) por tráfico de influência e improbidade. E nestes dois países não se viu qualquer tentativa de encobrir, tentar enganar a opinião pública e evitar uma investigação formal.
Aqui no Brasil, tudo corre de forma diferente. No Congresso Nacional, instância maior do Poder Legislativo, que deveria ser um defensor das boas práticas administrativas e fiscal das atividades do Poder Executivo, as coisas funcionam diferente. Defende a corrupção ao utilizar de manobras que impeçam o esclarecimento de qualquer crime de improbidade. Seja de que lado for sempre há quem que trabalhe com bastante afinco para evitar qualquer CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito), seja contra o governo ou contra a oposição. O corporativismo toma conta da política nacional, onde o toma-lá-dá-cá é mais importante do que o interesse da maior parte da população brasileira.
Partindo-se do princípio de que os parlamentares brasileiros (senadores e deputados federais, aqui neste caso) foram eleitos para aprimorar nossa legislação e fiscalizar os atos do executivo, causa estranheza o fato de que, cada um do seu lado, tenta impedir a apuração de crimes graves contra os cofres públicos e o patrimônio brasileiro. Que atinja aos larápios que tratam a res publica como negócio privado, sejam eles apoiadores do governo ou seus oposicionistas. O Brasil não merece mais ficar à mercê de corruptos ou maus administradores, independente da ideologia.
Não há bom ou mau ladrão: há apenas ladrão que merece ser investigado, julgado e condenado. Apenas quem tem telhado de vidro é que evita jogar pedras no telhado do vizinho. É só o que se pode deduzir diante das manobras, ‘blindagens’ e acusações de lado a lado para se evitar qualquer tipo de investigação. Mensaleiros presos são tratados como ‘mártires’ pela militância petista que, em contrapartida, exige o julgamento e punição exemplar ao ex-governador Eduardo Azeredo por causa do “mensalão mineiro”. Então que se investigue tudo, com isenção, para desatolar o Brasil deste verdadeiro lamaçal da corrupção.
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