Em uma noite classificada como violenta por policiais de Franca, seis mulheres foram vítimas de agressões em suas residências no domingo. Dos seis agressores, todos homens, três foram presos, dois fugiram e um escapou da prisão porque é transplantado. Ele tinha consulta ontem e a companheira se recusou a formalizar o flagrante. Das vítimas, três são casadas com os agressores, uma é separada, uma, filha, e outra, mãe.
O histórico de violência dentro do próprio lar teve início no City Petrópolis. Uma dona de casa de 51 anos foi agredida a socos e mordidas pelo marido, motorista de 53 anos. No Plantão Policial, ao tomar conhecimento de que o companheiro seria preso, a mulher retirou a acusação. Ela alegou que se fosse preso, o autor, que é transplantado, perderia a consulta agendada para ontem em Ribeirão Preto.
No Santa Adélia, outra dona de casa, de 30 anos, sofreu ferimentos de natureza grave na boca e no nariz, após ser agredida pelo marido, pintor de carros de 32 anos. Ele chegou em casa e a agrediu sem motivos, segundo o registro. A mulher foi internada. O companheiro, preso em flagrante.
Na Vila São Sebastião, um pintor de 35 anos ameaçou a filha de 16 anos de morte. Ao tentar agredi-la, foi seguro pelo irmão. No Plantão Policial, o acusado acabou indiciado em flagrante. “Ele ameaça toda a família de morte”, disse o irmão, vigilante de 28 anos, testemunha do caso.
Assessor foge
Entre os acusados de violência está até um assessor parlamentar da Câmara Municipal de Franca. Após discussão, ele agrediu a mulher com socos e pontapés, mas fugiu antes da chegada de PMs. A vítima, com cortes profundos na altura do olho direito e testa, precisou ser socorrida até o PS Municipal.
No Cambuí, a vítima foi uma gari de 51 anos. Ela dormia quando o ex-marido, de 42 anos, arrombou o portão e a porta da cozinha e entrou na casa, agredindo-a com socos e chutes. Após colocar fogo em roupas, ele fugiu. A própria vítima apagou o incêndio e registrou o caso.
Filho violento
A última ocorrência envolveu um sapateiro de 36 anos, do Centro, que foi até a residência da mãe, dona de casa de 64 anos, no Aeroporto I. Ele pulou o muro da moradia, quebrou todos os vidros de janelas e portas e passou a gritar para que a mãe saísse. “Vou te matar”, eram, segundo a vítima, as palavras do rapaz.
A PM foi comunicada e com a chegada da viatura, o acusado subiu no telhado. O pai abriu o portão para a entrada dos policiais. O filho desceu, resistiu, foi algemado e encaminhado à delegacia, onde acabou atrás das grades.
“Nunca vi nada igual”, disse, ontem, a delegada Graciela de Lourdes David Ambrósio, da DDM (Delegacia de Defesa da Mulher), referindo-se ao grande número de ocorrências registradas em uma única noite. Ela já adiantou que não descarta a hipótese de pedir a prisão temporária dos dois acusados que fugiram. “Pelo que foi narrado nos boletins, a representação independe da vontade das vítimas, e os autores responderão por seus atos em inquéritos a serem abertos aqui (na DDM)”, explicou.
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