Estiagem castiga rio Canoas. Sabesp admite preocupação


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Itamar da Silva, morador do Paiolzinho, anda próximo às margens do rio Canoas que está com nível baixo por causa da forte estiagem
Itamar da Silva, morador do Paiolzinho, anda próximo às margens do rio Canoas que está com nível baixo por causa da forte estiagem
Responsável por 80% do abastecimento de Franca, o rio Canoas, na divisa de São Paulo com Minas Gerais, tem sofrido com o período de estiagem. Com chuvas bem abaixo da média, o nível do rio diminuiu drasticamente e fez aparecer bancos de areia que antes ficavam submersos. Devido ao baixo volume, a Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) de Franca, preocupada com a situação, acaba de acender um sinal de alerta e pede a colaboração da população para evitar o desperdício.
 
Nesta última semana, o Comércio percorreu três trechos do Canoas entre Franca e Claraval (MG), na região do Paiolzinho, e confirmou que o nível de água reduziu a ponto de mudar o desenho do leito do rio. Vários bancos de areia estão visíveis e formam pequenas ilhas onde, no mesmo período do ano passado, havia apenas água. Em alguns pontos é possível atravessar o leito a pé em meio às pedras e até mesmo nos locais em que se tem a impressão de que são fundos, o nível de água não consegue cobrir um cachorro.
 
O cenário atípico assusta quem mora às margens do Canoas e já presenciou o mesmo leito transbordar na época das chuvas. “Fui criado nessa região e não me lembro de ter visto o rio tão baixo. Por ser abril, era para ter muito mais água”, disse o serviços gerais João Francisco Matias da Silva. A propriedade de que ele cuida é cortada pelo Canoas, por isso a baixa vazão da água se torna nítida durante os afazeres da roça. “Hoje conseguimos atravessar o rio sem molhar a bota, o que antes era impossível. Em abril do ano passado, a água cobria toda a bota, então a gente fica triste vendo que está diminuindo tanto.”
 
Volume de chuvas
De acordo com dados pluviométricos da Defesa Civil do Estado de São Paulo, a quantidade de chuva registrada de janeiro a março deste ano é menos da metade do acumulado no mesmo período de 2013. Somente no último mês, choveu 70% menos em relação a março do ano passado. 
 
A diferença entre o volume de chuva do primeiro trimestre de 2013 e o deste ano é alta. De janeiro a março do ano passado, choveu 802,9 milímetros e 59 dias. Nos mesmos meses deste ano, o volume somado e os dias de chuva reduziram para 329,4 mm e 33 dias (veja quadro).
 
Segundo o gerente regional da Sabesp em Franca, Rui Engrácia, o rio Canoas e o córrego Pouso Alegre, que abastecem a cidade, estão sendo monitorados diariamente e a preocupação com a baixa vazão de água existe, principalmente, se não houver conscientização da população. “O nível do rio está baixo sim, mas estamos acompanhando e pedindo economia a todos.”
 
Em entrevista recente ao Comércio, Engrácia havia alertado para o risco de racionamento de água entre os meses de agosto e setembro. “Se o consumo continuar em crescimento e o volume de chuva ficar abaixo da média, o risco se torna maior.”

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