Ex-atleta lança livro após sofrer derrame e perder a fala


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Jair Júnior Guimarães (ao centro) com os familiares e amigos no lançamento do seu livro O Casulo do Camaleão no mês passado
Jair Júnior Guimarães (ao centro) com os familiares e amigos no lançamento do seu livro O Casulo do Camaleão no mês passado
Durante dois anos o ex-motociclista e lutador de jiu jitsu Jair Guimarães Júnior, ou Juninho Death, como ficou conhecido o francano, se dedicou a escrever as 457 páginas de O Casulo do Camaleão, autobiografia que conta experiências vividas por ele antes e após sofrer um derrame. O AVC (Acidente Vascular Cerebral) ocorreu há sete anos e o deixou mudo e tetraplégico. Ao contrário do que possa parecer, as páginas de Juninho, hoje com 41 anos, não provocam pena no leitor. Pelo contrário, em dados momentos, a honestidade com que ele expõe sua vida e o seu jeito inconsequente durante a juventude chegam a provocar incômodo. Brigas, roubos, traições, fugas da polícia e, também, paixões e sucesso temperam as emoções do leitor.
 
Em que pese a crueza encontrada na maioria dos relatos, Juninho explicou que não ficou com receio de ser julgado pelos leitores. “Quis escrever para rir e lembrar com os amigos tudo o que vivemos.” 
 
Vale explicar que para conversar com Juninho, foram necessários intérpretes. A família de Juninho desenvolveu um modo de traduzir o que ele quer dizer a partir do movimento dos olhos. Nesse “código de olhares”, os familiares soletram as vogais e Juninho pisca para confirmar quais estão nas palavras que ele quer dizer. Depois eles soletram as consoantes em ordem alfabética e, da mesma forma, ele sinaliza quais são. Fazem assim até formarem palavras e frases. É um trabalho demorado mas que depois de certa prática, flui. 
 
Confecção do livro
Um dos poucos movimentos que restaram ao escritor foi o do dedo indicador. Isso permitiu que escrevesse O Casulo a partir de cliques no mouse.
 
Quanto ao nome do livro, ele explica que ele é o próprio camaleão que se transformou, física e psicologicamente, e hoje vive no casulo, que é o seu corpo imóvel. Em um trecho da obra, ele resume como se sente: “Pensei que a vida fosse inteira boa para mim. Mas caralho! Ela não foi. Sou uma mente sã em um corpo padecido. Ainda me imagino num dia à tarde, viajando de moto, sol baixinho, quase não me deixando enxergar por causa do reflexo batendo na viseira e ofuscando meus olhos.”
 
O derrame
A zica, como Juninho chama o derrame que sofreu, aconteceu em 26 de setembro de 2006. Às 6h30, sua rotina parecia normal. “Fiz como todos os dias: levantei, escovei os dentes, lavei o rosto, voltei ao quarto e perguntei para a minha ex (mulher) se ela tinha colocado o telefone para despertar”, conta em seu livro. Quando voltou ao banheiro, um clarão muito forte o cegou e veio a gritaria dos filhos e vizinhos. Depois disso, nada na memória. Ao abrir os olhos novamente, somente paredes brancas e música clássica de um lugar que ele não fazia ideia de onde era: o CTI (Centro de Terapia Intensiva). 
 
De acordo com os médicos, uma lesão, provavelmente ocasionada pelos golpes de jiu jitsu, teria ocorrido numa arteira (carótida direita), responsável por irrigar o cérebro. A partir disso, um trombo (coagulação do sangue no interior do vaso sanguíneo) teria se formado no local. Na manhã do dia 26, quando se levantou da cama, o fluxo da corrente sanguínea aumentou e desprendeu esse trombo, obstruindo a carótida. A família afirma que, se tivesse havido rápido diagnóstico, o estado de Juninho não seria tão grave. “Ao ver meu filho, que tinha um bom porte físico, por seu biotipo e por praticar muito esporte, o médico concluiu que o problema se devia a anabolizantes e deu as costas”, disse a mãe de Juninho, Matilde Guimarães. “Quando os exames provaram que não se tratava disso, Juninho já estava há um bom tempo sem tratamento adequado. Na verdade foi um milagre ele ter sobrevivido.”
 
O que se seguiu, desde o desgaste no casamento a um plano para desmascarar uma enfermeira que, segundo narra, o roubava durante a noite, pode ser conferido no livro O Casulo do Camaleão, vendido a R$ 30 no City Posto.

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