A notícia é triste. O rádio de Franca está de luto. A voz do Balacubaco silenciou. Morreu na manhã de ontem, o radialista Daniel Teodoro Rodrigues, 42. Ele lutava há um ano e seis meses contra um câncer no intestino. Daniel teve a vida dedicada ao rádio. Trabalhou nas principais emissoras da cidade e consolidou sua carreira na Difusora AM. Fazia parte do GCN desde 2005. Tornou-se conhecido em toda a região como repórter policial. Destacava-se pelo bom humor e pela facilidade em conseguir notícias exclusivas, resultado do relacionamento próximo com as fontes.
Daniel trabalhou por mais de 20 anos como radialista. Começou na extinta Uniband FM em 1988. Depois, migrou para o AM e atuou na Imperador e Hertz. Estava desde 2002 na rádio Difusora. Neste período, auxiliava o Comércio com pautas. Era um profissional versátil. Começou como técnico de som, foi discotecário, locutor e apresentou programas musicais. A paixão pela notícia fez com que se dedicasse à função de repórter. Notícias policiais eram o seu forte. Por anos, apresentou o Balacubaco, programa líder de audiência na Difusora AM . Ouvintes o admiravam pela maneira objetiva e irreverente de contar as histórias.
Outra paixão do radialista era a cobertura de eleições. Gostava de dar boletins na porta de escolas, cartórios e de transmitir a marcha das apurações. Em 2005, com a aquisição da rádio Difusora por diretores do Comércio, participou do projeto de integração da redação e passou a escrever reportagens para o jornal e portal GCN também.
Em outubro de 2012, teve que se afastar de suas funções para se tratar contra um câncer no intestino. Fez sessões de quimioterapia e passou por cirurgias. Durante o tratamento, sempre passava pela sede do GCN para rever os amigos. Demonstrava força e se dizia incomodado em não receber autorização médica para retornar ao trabalho. “Não vejo a hora de voltar. O rádio é minha vida. É difícil ficar em casa ouvindo vocês e não poder participar das coberturas”, dizia.
O câncer se espalhou e atingiu outros órgãos. A doença começou a se agravar no início deste ano. As idas ao hospital se tornaram mais frequentes. Na sexta-feira passada, sentiu dores e voltou a ser internado. O quadro era irreversível. Foi levado para o CTI e morreu por volta das 8 horas de ontem. A amiga e colega de trabalho, Cintia Flávia, foi encarregada de dar a notícia para os ouvintes. “Foi muito difícil. Impossível segurar as lágrimas. O Daniel me ensinou tudo na profissão. Sempre foi muito paciente e me deu dicas valiosas. É uma grande perda.”
A locutora Patrícia apresentava seu programa na Difusora quando Cintia entrou no estúdio com a informação. “Cheguei tão feliz para trabalhar. De repente, a notícia caiu como uma bomba na gente. O inesperado faz um mal danado. Fiquei muito triste. Me lembrei do ‘Danielzinho’, ele era um menino quando começou a trabalhar, sempre na maior alegria. O Balacobaco que ele apresentava era a maior delícia.”
O delegado e vereador Daniel Radaeli estava no estúdio da emissora. “Começamos juntos na rádio Difusora. O relacionamento com o Daniel era de irmão, de confiança e credibilidade. Ele era amigo de todos e deixará uma lacuna muito grande.” “A gente tinha uma relação muito boa, de amigo mesmo. Gostava muito dele e fiquei triste com a notícia”, disse o delegado Wanir José da Silveira Júnior.
Sandra Santos, recepcionista do GCN, trabalhou dez anos com o radialista e ficou abalada com o falecimento do colega. “Para tudo a gente podia contar com ele. O Daniel estava sempre alegre e nunca perdeu a esperança de voltar a trabalhar”, disse.
Daniel deixou a mulher Edna, os filhos Pâmela, Laila e Daniel e os netos Artur e Túlio. Seu corpo está sendo velado no São Vicente de Paulo e será sepultado neste domingo, às 9 horas, no Cemitério Parque Jardim das Oliveiras.
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