Mesmo após o fim da greve dos servidores públicos municipais, a população de Franca continua sofrendo com o atendimento na rede pública de saúde. Ontem, pacientes esperaram por até quatro horas para serem atendidos no Pronto-socorro Municipal “Álvaro Azzuz”. Muitos se revoltaram com a demora e questionaram os funcionários.
“Fiquei indignada, revoltada e gritei aqui pedindo explicação por essa demora. Fui conversar com o guarda e ele disse que, por causa do fim das horas extras, reduziu a quantidade de médicos e, por isso, tem só um lá dentro e outra na urgência. Estou aqui desde as 11 horas e não fui atendida. Agora já são 14 horas. Estou com infecção de urina e preciso passar pelo médico, mas as enfermeiras vieram me chamar de louca”, disse a funcionária pública Liliana Dolovetes.
Segundo pacientes, até casos urgentes estavam esperando há muitas horas por atendimento. “Estou esperando há quatro horas. Fui atropelado e estou com muita dor, mas para eles o meu caso parece não ser urgente”, disse Maicon Lopes, enquanto aguardava.
A assessoria de imprensa da Prefeitura informou, via e-mail, que acompanha a situação dos atendimentos do pronto-socorro e que o quadro de médicos está completo. “O tempo de espera deve-se ao fluxo de usuários acima do normal.”
As mudanças
Diante da denúncia de pagamento ilegal de horas extras aos médicos da rede municipal, que culminou em uma ação civil pública movida pelo Ministério Público do Trabalho, o prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) anunciou, na última terça-feira, que os médicos teriam de cumprir as jornadas de trabalho para as quais foram contratados e registrar o ponto digital e manual para evitar fraudes. Mas adiantou: as horas extras irão continuar. Pelo menos nas próximas duas semanas, até que uma saída seja encontrada para o problema da falta de médicos.
O prefeito reconheceu que o número de profissionais é insuficiente para a demanda da rede. “Temos 76 vagas de médicos no Pronto-socorro ‘Álvaro Azzuz’ e 48 profissionais. Se eles não fizerem horas extras, vai faltar médico para atender as pessoas. E não queremos isso.”
A denúncia
Os anúncios de mudança foram feitos depois que o Ministério Público Estadual abriu uma investigação para apurar denúncias de um esquema fraudulento de horas extras pagas aos médicos.
Fiscais flagraram situações em que uma médica chegou a receber até quatro vezes mais que seu salário só em horas extras. No mês de agosto de 2013, a médica viu seus vencimentos saltarem de R$ 3,2 mil para mais de R$ 12,9 mil.
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