Um furto realizado há mais três anos levou uma fonoaudióloga francana para a cadeia. Mirela Rezende de Melo Ferraro, 31, foi presa na manhã de ontem após ser condenada pelo furto de joias em uma residência onde prestou serviços em 2010. No mesmo ano, a fonoaudióloga chegou a ser detida em flagrante acusada de furtar dinheiro da bolsa da proprietária de uma clínica onde trabalhava, mas foi liberada em poucas horas. Ontem, ela foi recolhida na cadeia feminina do Jardim Guanabara para cumprir a condenação, em regime semiaberto, de três anos e dez meses.
A fonoaudióloga foi presa, por volta das 10 horas, por policiais da DIG (Delegacia de Investigações Gerais) assim que chegou para trabalhar em uma clínica na Vila Santos Dumont. De acordo com o delegado Márcio Murari, responsável pela delegacia, ela usava a profissão para praticar o furto. “Ela praticava serviço na casa das pessoas, ganhava confiança e furtava. Este caso, especificamente, é um processo de setembro de 2010, quando ela prestava serviço em uma residência como fonoaudióloga e acabou subtraindo joias de alto valor da família. A condenação saiu agora e, por este motivo, ela foi recolhida. Aqui em Franca não tem cadeia de semiaberto, então ela ficará fechada até analisar para onde será levada.”
Um dos membros da família que foi vítima da fonoaudióloga, que pediu para não ser identificado, confirma o “simpático” modo de agir de Mirela. “Ela chegou carismática, religiosa e eu achei uma maravilha.” Segundo o relato, a profissional furtou as joias depois de conhecer o local onde elas estavam guardadas. “Eu tinha que pagar ela, então fui tirar o cheque que estava no cofre. Tive que sair rápido do local e deixei a porta do cofre apenas encostada, porque confiava nela. Fiz várias coisas e depois de um tempo, ela disse que iria embora porque tinha outro cliente. Voltei para fechar o cofre e ele estava meio aberto. Eu assustei muito quando abri e vi que faltavam várias joias.”
No dia posterior ao furto, a fonoaudióloga foi questionada, segundo a vítima, sobre o sumiço das joias, mas negou o envolvimento. “Eu questionei e ela negou. Insisti, disse que mais ninguém havia entrado lá e que tinha aberto o cofre só para pagar ela. Como ela não confessou, registrei um boletim de ocorrência. Acho justa (a condenação), mas ao mesmo tempo tenho pena. Só que ela procurou, porque depois que aconteceu aqui em casa, aconteceu também em outros lugares.”
Registros
Além dos furtos registrados em 2010, uma comerciante procurou a polícia em janeiro deste ano para denunciar novamente a fonoaudióloga. A denunciante disse que contratou a profissional para prestar serviços ao filho que está acamado e ela teria furtado cerca de R$ 1.200 em dinheiro, outros R$ 500 em cheques, além de várias joias em ouro, brilhante e turmalina azul.
Outro lado
O Comércio entrou em contato com o advogado da fonoaudióloga, Rui Engrácia, mas ele não quis se pronunciar alegando não ter “autorização da família para se manifestar”.
Em depoimento à polícia em 2010, devido ao furto de dinheiro da bolsa da proprietária de uma clínica de fisioterapia, familiares alegaram que a fonoaudióloga estava sob tratamento, pois sofria de cleptomania, um distúrbio psicopatológico que faz a pessoa começar a roubar coisas diversas.
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