A situação do ensino no Brasil não anda bem há alguns anos. É preciso parafrasear os slogans do governo federal: ‘povo sem ensino adequado é povo ignorante’. Esta é a grande realidade que vivemos e só podemos perguntar: a quem interessa essa situação? À classe política, negando o esclarecimento à população? Aos professores, hoje tão desvalorizados quando desanimados? Aos pais, que se desinteressam pela vida dos filhos? Aos alunos, que num sinal dos tempos não consideram a importância dos estudos para seus futuros? Ou é a soma de todos estes fatores? A resposta é o menos importante. O que importa, acima de qualquer coisa, é a união das forças políticas e da sociedade para tentar reverter a situação.
De acordo com a manchete do Comércio na edição de ontem, o nível do aprendizado de português e matemática nas escolas estaduais de Franca tem deixado a desejar. Levantamento feito com base no resultado do Idesp (Índice de Desenvolvimento da Educação do Estado de São Paulo) 2013, revela que 66% das unidades escolares da cidade tiveram notas abaixo da meta proposta pela Secretaria Estadual. As notas correspondem ao resultado das provas, no caso o Saresp, realizadas por estudantes do 5º e 9º anos e também por alunos matriculados no 3º ano do ensino médio, com o objetivo de avaliar a qualidade do que é ensinado da escola. Porém, a constatação se estende para praticamente todo o Estado, conforme tivemos oportunidade de comentar aqui mesmo na semana passada. E reflete a situação em geral vivida pelo País.
De acordo com os dados, das 53 escolas francanas que participaram da avaliação, apenas 18 delas conseguiram atingir a meta estabelecida para o aprimoramento da qualidade do ensino. Nas 35 unidades escolares restantes, o desempenho ficou abaixo do proposto antecipadamente. Apesar do resultado, a Secretaria Estadual de Educação destacou que na Diretoria Regional de Ensino de Franca, 52 escolas estaduais (81,3% das 64 unidades avaliadas) atingiram ou superaram suas metas em 2013 em pelo menos um dos ciclos.
É preciso que não nos enganemos mais. A deterioração da qualidade do ensino no País é uma realidade preocupante que precisa ser encarada — e enfrentada — com grande seriedade. Os números pífios continuam demonstrando que o estudante brasileiro muitas vezes completa o ensino médio sem compreender o que lê e não sabe fazer contas básicas na matemática. Ao contrário de décadas atrás, conjugação de verbos e tabuada são desconhecidas para a maioria de nossas crianças e adolescentes.
Estamos criando uma geração de ignorantes que podem se tornar profissionais deficientes e sem condições de compreender e pensar corretamente. Ao lado da valorização dos profissionais do ensino, é necessário que a própria escola forneça atrativos aos estudantes: eles precisam se interessar. Há novas metodologias que provaram sua eficácia e que devem ser testadas e, em caso positivo, implementadas. Do contrário, a qualidade do ensino brasileiro chegará facilmente ao fim da ladeira.
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