Políticos gostam de se referir à Câmara como a “casa do povo”. Mas, os vereadores, vez por outra, extrapolam os limites e transformam a casa do povo em uma extensão de suas casas.
Há anos, mesmo quando a Câmara funcionava no prédio antigo ao lado da Prefeitura, um crucifixo permanece afixado na parede atrás da Mesa Diretora. Sempre foi assim, chova ou faça sol, seja qual for o evento, seja qual for o convidado.
O vereador Claudinei da Rocha (PP) resolveu mexer na tradição e provocou a revolta dos companheiros. Diácono da Igreja Assembleia de Deus, ele convocou sessão solene, na noite de segunda-feira, para homenagear a mulher evangélica. Antes que o evento começasse, ele mandou seu assessor retirar a cruz de Cristo do plenário. Onde ficava a imagem, afixou uma faixa. O crucifixo só retornou para o plenário na manhã seguinte, levado por uma mulher que trabalha na limpeza da Câmara.
A realização da sessão solene em homenagem à mulher evangélica havia sido aprovada por todos vereadores, a maioria católicos. Por isto, houve indignação com a atitude de Claudinei, avaliada pelos parlamentares como “intolerância religiosa”. “Fiquei surpreso e espero que a situação não volte a acontecer novamente. Fui criado em berço evangélico, mas vou em várias igrejas. Não é o Cristo que está ali, tradicionalmente, que vai atrapalhar o evento. Temos que respeitar todos as expressões religiosas”, disse Daniel Radaeli (PMDB). “Deus não quer extremismo. Deus quer paz”, completou.
O vereador Luiz Vergara (PSB) alertou o presidente Jépy Pereira (PSDB) a respeito do ocorrido e pediu que providências sejam tomadas para que o plenário permaneça sem alterações quando for cedido para qualquer evento. “A Câmara é pública, deve ser usada por todos, mas tem que ser respeitada do jeito que é. Foi um ato desnecessário retirar o crucifixo. O vereador Claudiniei foi infeliz. Precisamos que todas as religiões rezem por todos e não que defendam um lado ou outro”.
Valéria Marson (PSDB) também repudiou a atitude do colega. “Não tem cabimento fazer um negócio destes. Não podemos achar que a Câmara é a nossa casa. As diferenças precisam ser respeitadas”.
Claudinei da Rocha negou que tenha sido intolerante. Ele disse que professa a fé em Cristo e que tirou o crucifixo do local porque não tinha onde colocar a faixa referente ao evento.
Não foi um fato isolado. Há dois anos, Pastor Otávio (PTB) fez o mesmo durante evento que promoveu. A faixa que colocou no local tinha a propaganda de uma ótica da cidade.
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