Prefeitura ignora sugestão do TRT e nega nova proposta


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Representantes da Prefeitura, do Sindicato dos Servidores e vereadores em reunião ontem no Paço Municipal: nenhuma proposta
Representantes da Prefeitura, do Sindicato dos Servidores e vereadores em reunião ontem no Paço Municipal: nenhuma proposta
A primeira reunião entre a Prefeitura de Franca e o Sindicato dos Servidores Municipais depois da suspensão da greve terminou sem avanços. O encontro foi convocado pelo Executivo, mas, ao contrário do esperado, não houve nenhuma nova proposta para discussão. Mas sobraram ameaças. 
 
Pela Prefeitura, compareceram o procurador do município Joviano Mendes da Silva e os secretários municipais Neide Lopes (Finanças) e Humberto Mazza (Recursos Humanos).Também esteve presente o ex-secretário de Administração Jerônimo Sérgio Pinto. O sindicato foi representado pelo presidente Fernando Nascimento e pelo advogado Tony Rocha. A reunião também foi acompanhada por uma comissão da Câmara, formada pelos vereadores Márcio do Flórida (PT), Nirley de Souza (DEM), Laercinho (PP) e Luiz Vergara (PSB). 
 
O procurador do município não permitiu que o Comércio acompanhasse as negociações. A reunião realizada no Paço Municipal durou cerca de uma hora e meia. Boa parte deste tempo foi ocupada com discussões sobre a paralisação dos servidores. No restante, em vez de negociar, os representantes da Prefeitura preferiram tentar intimidar o sindicato. 
 
Segundo o vereador Márcio do Flórida, um dos momentos mais tensos foi quando a Prefeitura ameaçou se retirar das negociações. “Eles disseram que se o Sindicato não apresentasse uma proposta com valores menores de reajuste e vale alimentação até segunda-feira, eles não iriam à audiência de conciliação marcada pelo Tribunal do Trabalho para quarta-feira da semana que vem, encerrando assim as negociações.”
 
O presidente do Sindicato se disse frustrado com o resultado da reunião. “Eles nos chamaram aqui. Eu esperava que apresentassem algo novo para a discussão. Mas não. Foi mais do mesmo. Estou frustrado. A Prefeitura não quer negociar. Quer que os servidores cedam, o que não vai mais acontecer”, afirmou.
 
Os servidores mantiveram a proposta com base no que foi sugerido pelo desembargador Luiz Roberto Nunes, que presidiu a audiência de tentativa de conciliação realizada no Tribunal Regional do Trabalho em Campinas (SP), na terça-feira. “Dissemos que aceitaríamos o vale alimentação no valor de R$ 280, como sugerido pelo desembargador, e o aumento de 5,39%. Mas eles disseram não.” 
 
O presidente disse que não tem mais como ceder. “Eles nos pressionaram dizendo que não iriam para a conciliação em Campinas para ver se cedíamos ao que eles querem. Mas não vamos mais ceder. Já reduzimos o valor do vale alimentação de R$ 450 para R$ 280, já suspendemos a greve, já fizemos muito. Agora está na hora da Prefeitura demonstrar um pouco de boa vontade.”
 
Na última terça-feira, na audiência de conciliação, a Prefeitura e o Sindicato assinaram um acordo para suspender a greve. A condição imposta foi a de que a Prefeitura voltasse a negociar o aumento salarial da categoria, o vale alimentação e a compensação dos dias parados. Mas ao que tudo indica, não haverá novas propostas por parte do Executivo. “Eles não demonstraram nenhum interesse em negociar. Infelizmente, acho que o caminho será o julgamento”, disse Nascimento.
 
Ao final da reunião, o secretário de Recursos Humanos, Humberto Mazza, disse que esta primeira reunião foi mesmo para ouvir. “Viemos aqui ouvir o que os servidores querem e saber se eles tinham algo novo para apresentar. Agora vamos fazer os cálculos e ver se é possível atender as reivindicações.”
 
Ele não quis comentar sobre a audiência da próxima quarta-feira. “Vamos estudar os números e as possibilidades. Provavelmente haverá outros encontros”, disse sem citar data. Sobre a proposta da Prefeitura, ele disse que por enquanto continua sendo a mesma: R$ 230 de vale alimentação e 3,97% de aumento.

Vereadores
Para os vereadores da Comissão da Câmara que acompanharam as negociações na tarde de ontem, mais uma vez, faltou habilidade por parte da Prefeitura para negociar. “Os representantes da Prefeitura disseram que não podiam negociar nada sem falar com o prefeito. Ué, se não podiam negociar então por que estavam na reunião de negociação”, questionou Vergara. 
 
A opinião é compartilhada por Márcio do Flórida. “Eles não foram negociar. Não levaram nada de novo. Apenas pressionaram e ameaçaram. Falta diálogo.”

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