Ser emocional


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Consta que o político Francês Clemenceau foi sepultado de pé, “para ter o coração acima do estômago e a razão acima do coração”. A frase ilustra bem o tema que pretendo tratar hoje, pois ela sugere que devemos ser mais razão e menos emoção. Confesso que, racionalmente, todo brasileiro deveria torcer contra a nossa seleção na Copa de 2014. Sim, pois o superfaturamento nos valores gastos com as construções das arenas que abrigarão os jogos da Copa é fato evidentíssimo e dispensa maiores delongas.
 
Apenas para se ter uma ideia, recentemente foi construída na Europa, com padrão Fifa, uma arena equivalente ao estádio Mané Garrincha de Brasília, porém com um custo cinco vezes menor. Inaceitável ainda é o fato de que vários dos estádios brasileiros, recém construídos, deverão passar por grandes reformas após a Copa, sangrando ainda mais os cofres públicos, fruto de construções realizadas de afogadilho. Assim, até o chamado “legado da Copa” está comprometido.
 
Mas o inadmissível foram as mortes de operários decorrentes da falta de segurança nos canteiros de obras. Essas infelizes ocorrências são atribuídas ao ritmo frenético dessas edificações, tudo visando atender exigências da poderosa Fifa que, sem pudores, se coloca acima do bem e do mal. Assim, o mais sensato é torcer contra. Porém, quando a seleção canarinho entrar em campo, a “pátria calçará as chuteiras” e nos tornaremos um só coração, ainda que insensato.
 
Faz parte do caráter do povo brasileiro, ser mais emoção do que razão. Recentemente me emocionei com a torcida do Bayern de Munique, comemorando a vitória do time com a música Aquarela do Brasil de Ari Barroso, embora contada pelos bávaros em ritmo de marcha e não de samba. Portanto, me desculpem os racionais, mas não vou conseguir torcer contra, embora reconheça que vocês estejam cobertos de razão.
 
Setímio Salerno Miguel
Advogado Empresarial e Professor da Faculdade de Direito de Franca
 

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