E a presidente continua rindo...


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Em maio de 2013, aqui neste mesmo espaço, a pergunta era: ‘Do que Dilma tanto ri?’. Naquele momento, os números da economia brasileira mantinham-se baixos -- em patamares um pouco melhores do que hoje -- e as medidas criadas para estimular o consumo, alavancar o PIB (Produto Interno Bruto) e frear a curva inflacionária descendente não vinham surtindo efeito. Quase um ano após, deve-se perguntar do que Dilma Rousseff continua rindo? As recentes denúncias envolvendo a Petrobrás e a compra da refinaria de Pasadena e os índices cada vez mais preocupantes na economia são motivos suficientes para que a chefe da Nação deixe de celebrar a cada momento.
 
Não temos o que comemorar. Depois das denúncias de um gasto superior a US$ 1,3 bilhão numa refinaria que tinha custado apenas US$ 73 milhões anos antes, a base aliada da presidente -- que presidia o Conselho de Administração da estatal na época -- tenta descolar de sua imagem esta verdadeira lambança. Pelo que se apurou até agora, mesmo que tenha sido induzida a erro, Dilma Rousseff demonstrou total despreparo administrativo, pois tinha a obrigação de saber que a refinaria de Pasadena havia custado cinco vezes menos do que se pagou pela metade da planta.
 
Dilma foi eleita apresentando-se como administradora eficiente, uma ‘gerentona’ capaz de resolver as mazelas do Brasil durante o mandato. A deterioração da economia, cuja condução é criticada por causa da ‘contabilidade criativa’ utilizada para segurar o fluxo inflacionário, controlar o câmbio e turbinar o comércio exterior, já deixava o Planalto sob suspeita. Agora, o caso Petrobrás envolve diretamente a capacidade de decisão de Dilma Rousseff. Politicamente fragilizada diante da rebeldia dos deputados peemedebistas, do afastamento do PSB de Eduardo Campos e da tentativa de se criar uma CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) no Congresso para apurar o negócio desastroso da maior estatal brasileira, a presidente tenta correr atrás para evitar um prejuízo maior para sua campanha à reeleição.
 
O sorriso insistente de Dilma, que não recusa nenhum convite para eventos oficiais, seja para entregar tratores ou casas (algumas delas inacabadas) ou para assinar convênios com governos estaduais e municipais, já começa a incomodar. A hora é de seriedade para com a condução dos destinos do País, que se vê numa situação bastante desalentadora. Para piorar tudo, enquanto parte do Brasil sofre com enchentes que atingem níveis elevadíssimos, outros Estados sofrem com a estiagem, que já afeta não apenas o abastecimento de água mas também causa apreensão quanto a um possível apagão no setor elétrico. Também a produção agrícola começa a sofrer, levando a uma pressão nos preços de legumes e hortaliças o que certamente irá interferir na taxa inflacionária. Então, em vez de sorrir e transformar atos oficiais em eventos de campanha, agiria melhor a presidente se concentrasse esforços e buscasse soluções para os problemas atuais. Do contrário, a situação pode piorar e impactar negativamente em sua pretensão de se reeleger em outubro próximo.
 
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