Superlotação carcerária, más condições de trabalho, episódios de violência e desrespeito aos direitos humanos mais básicos. É muito conhecida a realidade do sistema prisional de São Paulo, o maior do país, com aproximadamente 215 mil presos. Uma bomba relógio pronta a explodir a qualquer momento. Um dos segmentos mais atingidos pela dura realidade do sistema prisional do Estado mais rico e populoso do Brasil é o dos agentes penitenciários. São eles que sofrem no dia a dia a sobrecarga de trabalho, caracterizada pelo fato de que uma prisão projetada para receber cerca de 700, está, na realidade, abrigando mais de 2 mil presos.
E também são os agentes que, em uma situação de motim, estão na linha de frente, sujeitos a riscos inimagináveis para o cidadão comum, justamente para defender este cidadão. Pois este contingente sofrido de servidores públicos de São Paulo foi obrigado a recorrer a um movimento de greve. Eles estão em luta por melhores salários e condições de trabalho, pois a sua rotina é massacrante, não sendo raros os casos de doenças de toda ordem os acometendo.
E não é para menos. São cerca de 30 mil servidores na categoria, somando-se os agentes de segurança e de escolta, os profissionais da área de saúde e o pessoal da área-meio. Mas os agentes também estão mobilizados por uma reforma inadiável no sistema prisional, que o consideram desumano e degradante. Sabemos que um sistema penitenciário iníquo é uma das fontes da espiral de violência que atinge a sociedade brasileira. E essa reforma deve começar pela base de sustentação, por um dos pilares desse sistema, os agentes penitenciários que merecem melhores condições de trabalho, para que possam continuar exercendo sua missão de forma justa e digna. Somente teremos prisões que funcionem realmente para os fins com que foram criadas, com agentes penitenciários exercendo da melhor forma o seu ofício. Valorizar o ser humano, responsabilidade de todos nós, imperativo de toda a sociedade.
Ana Perugini
Deputada estadual pelo PT
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