Transformação


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Não quero falar das condições atuais vividas pela economia brasileira. Como, por exemplo, do índice de inflação medido pelo IPCA que vem, há algum tempo, superando a meta estabelecida. Ou que não estamos fazendo os investimentos que nos corresponderia fazer para manter a economia crescendo nas proporções desejáveis. Que estamos nos descuidando do setor industrial, tanto em termos de desempenho, como em ganhos de produtividade. Das práticas de corrupção e da convivência com a incompetência que estão resultando na perda de valor de duas das mais importantes empresas brasileiras, a Petrobrás e a Eletrobrás. Com políticas equivocadas, estamos destruindo estratégico setor do agronegócio, o do etanol. Ainda por cima, fomos rebaixados por uma agencia internacional de classificação de riscos. Deixamos tudo isso para a ponderação dos leitores.
 
O que queremos analisar hoje são as perspectivas que aparecem no horizonte de uma nova onda de evolução tecnológica, que pode mudar os rumos da humanidade, como aconteceu na segunda metade do século XIX. Nos Estados Unidos, na Alemanha, e, em menor escala, na França e na Inglaterra ocorreu aquilo que se considera ter sido a segunda Revolução Industrial. O telefone de Bell, a luz elétrica de Edison, a fotografia de Eastman, a linotipo de Merghentaller, o motor de combustão interna, o rádio, o gramofone, o refrigerador, o cinema, o raio X, são parte de uma longa lista de contribuições para um mundo em transformação, que ajudaram a melhorar a qualidade de vida das pessoas e a aumentar a produção industrial. Agora estamos diante de mais uma impactante, transformadora revolução.
 
Na curva da História, encontramo-nos novamente num ponto de inflexão tecnológico, que começou com a criação dos computadores, dos chips, da telefonia celular e não parou mais. Com a velocidade de um raio, a capacidade os chips está mudando radicalmente o mundo, caracterizando uma revolução tecnológica de alto impacto, que o transforma e altera o rumo das nossas vidas. Para o bem, diga-se de passagem. Mas, nisso tudo, há um perdedor: o emprego. Nosso sistema educacional está preparado para isso?
 
Vicente P. Oliveira
Economista da FEA-USP
 

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