Democracia vitoriosa


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Há cinquenta anos, o Brasil amanheceu diferente. Depois da ‘Marcha com Deus pela Família e pela Liberdade’, golpe contra o presidente João Goulart, o País ingressava numa era de trevas. Foram mais de vinte anos onde se suprimiram as liberdades, combateu-se a insipiente resistência, transformaram-se em câmaras de tortura os porões da repressão e a democracia foi substituída por um regime que tinha entre seus lemas ‘manda quem pode, obedece quem tem juízo.’ Muita gente foi presa sem direito a qualquer defesa, muitos foram mortos, outros conseguiram sair do País, deportados como criminosos, embora na maioria das vezes apenas defendessem liberdade aos brasileiros.
 
No final, a ‘ameaça comunista’ apregoada como motivadora da ‘intervenção militar’ mostrou-se tão somente a desculpa para que o Brasil fosse governado com mão de ferro, onde qualquer manifestação minimamente desagradável ao sistema era motivo de reação exacerbada. A política passou a ser exercida, por um a lado, pelos ‘manda quem pode’ contrapostos pelos ‘obedece quem tem juízo’. Duas décadas perdidas, onde qualquer tipo de ameaça era vista como atentado contra o governo, mesmo que ela não existisse.
 
Com o legítimo presidente João Goulart exilado no Paraguai -- ele havia substituído Jânio Quadros, que renunciou ao mandato --, as promessas de retorno imediato à democracia foram sendo substituídas por mecanismos autoritários e censórios, os chamados Atos Institucionais. O brasileiro perdeu o direito de eleger presidente e governadores, modificações no sistema político garantiram maioria aos governos militares que se sucediam no Congresso Nacional. Quem viveu aquela época e hoje olha para trás, percebe que, embora ainda haja os que achem possível defender aquela intervenção militar no governo, a democracia, mesmo com os erros dos governos pós-ditadura, é insubstituível.
 
Qualquer tipo de regime de exceção, como o que vigorou no País por mais de vinte anos, busca suprimir as liberdades individuais e a liberdade de livre expressão do pensamento. Quando se tenta governar por decreto, impondo aos governados a vontade do mais forte, quase ninguém ganha. Perde o País, onde a corrupção cresce, a máquina administrativa incha e os empréstimos externos jogam para a Nação uma dívida incontrolável. Perdem os políticos sérios, que não encontram formas de fazer valer os seus mandatos. E perde a população, que é tratada como um rebanho de animais sem direito algum.
 
Enfim, perdemos todos nós. Por isso é preciso, cada vez mais, fortalecer a democracia que permite que todos possam se expressar sem censura, combatendo a corrupção, as falcatruas e os desmandos, como vem ocorrendo nos últimos anos. Hoje, malfeito é julgado e condenado e os malfeitores, sejam de colarinho branco ou não, responsabilizados criminalmente. Ainda há muito que mudar para que atinjamos a democracia plena. E é dever de todos nós, vigiar sempre, para evitar que o Brasil volte a mergulhar no mar trevoso da ditadura.
 
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