Sem saída, Alexandre obriga marcação dupla de ponto


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Foto de arquivo mostra a secretária de Saúde, Rosane Moscardini (ao fundo), e o prefeito Alexandre Ferreira (PSDB)
Foto de arquivo mostra a secretária de Saúde, Rosane Moscardini (ao fundo), e o prefeito Alexandre Ferreira (PSDB)
Diante da denúncia de pagamento ilegal de horas extras aos médicos da rede municipal, que culminou em uma ação civil pública movida pelo Ministério Público do Trabalho, o prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) anunciou, no final da tarde de ontem, que os médicos terão de cumprir as jornadas de trabalho para as quais foram contratados e registrar o ponto digital e manual para evitar fraudes. Mas adiantou: as horas extras irão continuar. Pelo menos nas próximas duas semanas, até que uma saída seja encontrada para o problema da falta de médicos.
 
Segundo o prefeito, há uma preocupação em cumprir uma liminar conseguida pelo MPT que obriga a Prefeitura a garantir a concessão de descanso no intervalo, entre plantões. “Sabemos que o médico, nesse intervalo, vai dar plantão em outro lugar ou trabalhar em outra empresa, mas aqui na Prefeitura tem que haver esse descanso.”
 
Na semana passada, a Justiça do Trabalho concedeu uma liminar determinando que a Prefeitura regularize a jornada de trabalho dos servidores, no prazo de 48 horas a partir da sua notificação. A medida prevê que os servidores tenham direito ao intervalo mínimo de 11 horas entre duas jornadas, descanso semanal remunerado, além de registrar o ponto dos trabalhadores. A pena em caso de descumprimento é de R$ 10 mil por item, acrescida de R$ 100 para cada servidor em situação irregular.
 
No caso dos médicos, o prefeito reconhece a dificuldade de cumprir de imediato a liminar, uma vez que o número de profissionais é insuficiente para a demanda da rede. “Temos 76 vagas de médicos no Pronto-socorro ‘Álvaro Azzuz’ e 48 profissionais. Se eles não fizerem horas extras, vai faltar médico para atender as pessoas. E não queremos isso.”
 
Para tentar resolver o impasse, a administração se reúne com médicos e Ministério Público Estadual para, segundo Alexandre, “chegar a um consenso e não prejudicar o atendimento à população até em função das mudanças que vamos implantar”.
 
Para discutir tais mudanças, o prefeito recebeu na tarde de ontem, em seu gabinete, os promotores de Justiça Paulo Borges e Eduardo Tozzi. A secretária de Saúde, Rosane Moscardini, e um representante dos médicos também estiveram presentes. Os promotores cobraram ações da administração. “Queremos que a Prefeitura cumpra a lei”, se limitou a dizer Borges.
 
O decreto
Alexandre não descarta a revogação do decreto que regulamenta as horas extras (leia texto nesta página), mas abre o leque de possibilidades como a de um novo concurso público para a contratação de médicos para dar plantão de 24 horas único por semana, sem o pagamento de hora extra. Outra alternativa, segundo o prefeito, poderá ser “a mudança no contrato homologado pelo sindicato, que permite que o emergencialista possa fazer quatro horas por dia para ele poder trabalhar no horário de pico. Ou o inverso, para que o clínico geral da unidade, que tem de fazer quatro horas por dia, possa concentrar seu horário e fazer plantão de 24 horas”.
 
Fora da lei
Três TACs (Termos de Ajuste de Conduta) já foram firmados entre Prefeitura e o MPT na tentativa de solucionar os problemas identificados pelo Ministério do Trabalho, mas Franca não está cumprindo com o combinado. Segundo o MPT, já foi constatado o descumprimento de duas cláusulas firmadas no TAC de agosto de 2012, sobre excesso de horas extras e não concessão do intervalo intrajornada. Segundo a assessoria do órgão, o procurador Henrique Lima Correia está calculando a multa e deverá ingressar com ação de execução do TAC nos próximos dias.
 
Outro pedido do órgão é a condenação da Prefeitura ao pagamento de indenização por danos morais coletivos de R$ 200 mil.

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