A sessão de ontem da Câmara começou com vereadores acusando o prefeito de assédio. Terminou com uma derrota de Alexandre Ferreira (PSDB). O veto do governo ao projeto do tucano Adérmis Marini, que implanta o sistema de Área Azul Social na cidade foi derrubado com 13 votos contrário e nenhum favorável. A proposta cria regras para utilização do espaço público para estacionamento com a finalidade de conter os abusos cometidos pelos flanelinhas em shows e eventos.
Pela proposta, a Área Azul Social será criada nas ruas ao redor de locais de grande aglomeração de pessoas, como casas de shows e estádios. Nesses lugares, será cobrada uma taxa de estacionamento, nos mesmos moldes da Área Azul, que já funciona em regiões comerciais. A diferença é que a cobrança ocorrerá apenas nos dias em que os eventos ou shows forem realizados. A ideia é que os locais sejam gerenciados por entidades assistenciais. “O espaço público está sendo explorado de maneira irregular, indevida e imoral por algumas pessoas das quais não sabemos a índole. O projeto é de alcance social. Visa reverter renda para entidades e oferecer mais segurança à população”, disse Adérmis.
Aprovado em fevereiro, o projeto foi vetado pelo prefeito sob a alegação de que o vereador “usurpou” de iniciativa que é de exclusiva competência do Executivo. Os tucanos não se bicam desde o começo do ano. Para que o veto fosse derrubado, eram necessários oito votos. A bancada governista tentou ajudar Alexandre, retirando-se do plenário. A estratégia era evitar que o quórum mínimo fosse alcançado. Mas, Adérmis pediu verificação de presença e todos tiveram que voltar e registrar o voto. A derrota do governo foi sacramentada com 13 votos (o presidente da Câmara não vota nesses casos e o vereador Laercinho, do PP, estava viajando e não participou da sessão).
O resultado significa uma vitória pessoal de Adérmis e deixa explícito o racha existente no PSDB. A relação entre o vereador e o prefeito está estremecida após ele ter renunciado ao cargo de líder do governo. Desde então, afirma sofrer retaliações por parte de Alexandre Ferreira. Na votação de ontem, Adérmis teve o apoio dos colegas de partido. “O projeto não deveria ter sido vetado, pois não cria despesa para o Executivo. A proposta é importantíssima para brecar a ação dos flanelinhas, que estão coagindo os motoristas”, disse Valéria Marson. O também tucano Donizete da Farmácia votou com Adérmis.
Para ser colocado em prática, o sistema de Área Azul Social precisa ser regulamentado por Alexandre Ferreira. “Baseado no resultado da votação, acho que o prefeito vai fazer uma avaliação melhor”, disse Adérmis.
Pressão
Na primeira parte da sessão, vereadores pediram providências ao presidente Jépy Pereira (PSDB) para coibir a ação do assessor legislativo da Prefeitura, Edvaldo Costa, que, segundo eles, pressiona vereadores da base a votar de acordo com interesse do governo. “É um assédio moral e vergonhoso para tentar impor o voto de cabresto”, disse Radaeli (PMDB). “Não podemos admitir que o prefeito mande aqui. A presença do Edvaldo incomoda e a mesa diretora precisa tomar providência”, completou Luiz Vergara (PSB). Jépy disse que tomaria providências para evitar que a situação se repita.
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