Durante discurso de inauguração das novas instalações do Parque Tecnológico de Ribeirão Preto - Supera, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, foi muito feliz ao focalizar as dificuldades atualmente enfrentadas pelo setor sucroalcooleiro, mostrando a verdadeira origem desse problema cuja gravidade é crescente: o governo federal, lamentavelmente, faz ouvidos de mercador ao clamor dos trabalhadores e empresários, deixando-os à própria sorte.
Alckmin mostrou que São Paulo fez o dever de casa. Reduziu a alíquota do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre o etanol hidratado comercializado nos postos de 25% para 12%, o menor do Brasil, e prometeu uma nova reunião com o setor sucroalcooleiro nesta semana para avaliar a proposta de uma nova redução, já que os empresários estão pedindo a redução da alíquota do etanol de 12% para 7%. Segundo estudo feito pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), a queda na alíquota não traria perda de receitas ao Estado porque a arrecadação menor com o etanol seria compensada com o aquecimento da economia, a geração de empregos e ainda pelo aumento da alíquota do ICMS da gasolina de 25% para 28%.
A política do governo federal está sendo desastrosa não apenas para o setor sucroenergético como, igualmente, para a Petrobrás, cujo valor de mercado — que é calculado a partir do preço das ações — foi reduzido, em um ano, R$ 40,2 bilhões, caindo de R$ 254,85 bilhões em 31 de dezembro de 2012 para R$ 214,69 bilhões em 31 de dezembro de 2013. Essas perdas aconteceram por conta da defasagem dos preços dos combustíveis e a falta de definição de uma política de reajustes clara, com periodicidade e regras definidas. Se a Petrobrás perde posição no ranking das grandes empresas, muito pior é a situação das usinas que deixam de moer, dos plantadores de cana que deixam de plantar e, principalmente, dos trabalhadores que perdem seus empregos...
Welson Gasparini
Deputado estadual (PSDB), advogado e ex-prefeito de Ribeirão Preto
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