Ele está (muito) descontrolado


| Tempo de leitura: 3 min
Muito já se falou neste espaço sobre o prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) nos últimos dias, principalmente em razão da greve dos servidores públicos municipais de Franca e os seus desdobramentos. Porém, na manhã do último domingo, o chefe do Executivo teve um comportamento que não podemos deixar passar em branco. Ficou ainda mais evidente o descontrole que vem demonstrando nos últimos tempos. Depois de ser salvo pelo gongo da Justiça do Trabalho, que concedeu liminar e o fez cancelar um decreto totalmente irregular para a contratação de temporários para ocuparem o lugar dos servidores em greve, Alexandre apareceu no Pronto Socorro “Dr. Álvaro Azzuz”. Ali, arrancou cartazes que anunciavam a greve, discutiu com servidores e tentou demovê-los de prosseguirem com a paralisação.
 
O que ele não sabia (e a rádio Difusora divulgou ontem) era que sua conversa com os servidores, ou pelo menos grande parte dela, estava sendo gravada. E os trechos mostrados pelo programa A Hora da Verdade são bastante esclarecedores da personalidade do prefeito francano. Autoritário, mandou uma servidora ficar quieta, ameaçou ir embora se fosse interrompido e fez sérias acusações contra a mídia em geral e ao Comércio da Franca em particular. Mais uma vez mentiu, acusando esta folha de inventar notícias contra ele e só acusá-lo por não estar recebendo dinheiro da Prefeitura. Está sendo desafiado a provar o que diz, o que é impossível.
 
Outra coisa impossível, e também deprimente, é desmentir-se diante de provas em contrário. Caso de sua fala a respeito do número de servidores em greve. Na manhã em que foi ao PS, repetiu o tempo todo que durante a coletiva convocada para falar da greve tinha apenas “lido um papel” e que não havia dito que o movimento era ‘relativamente pequeno.’ A negativa beira o ridículo, uma vez que suas declarações foram ao ar e estão gravadas.
 
Tem sido assim, frequentemente, nos últimos tempos. Agora, ao tentar dar uma resposta aos servidores que o interpelam, sem argumentos ou qualquer embasamento, preferiu atacar e acusar.
 
É grave a acusação que faz ao Comércio de mentir, “inventar notícias” contra ele e quer isso só acontece porque a Prefeitura não paga para o jornal. Além de também colocar em dúvida a idoneidade dos demais órgãos de comunicação da cidade e da região, abrangendo-os sob a palavra mídia, o prefeito age de forma leviana, atacando quando não tem argumentos para explicar suas atitudes. Fala sem se preocupar em provar o que diz.
 
A gravação feita por um dos servidores que participaram da “conversa” de domingo no PS, mostra que, além de assédio moral contra os funcionários da Prefeitura, o chefe do Executivo pode ser interpelado na Justiça para provar as acusações que faz ao jornal. Certamente o será. Com isso, atinge a honra de um dos mais longevos órgãos de comunicação do País, que há quase cem anos informa a população de Franca e região, conseguindo angariar popularidade e credibilidade no decorrer de sua existência em razão da isenção, de muito trabalho e de compromisso irrestrito com a verdade. E a verdade é que, ano passado, o Comércio da Franca desistiu de prolongar um contrato para prosseguir publicando atos oficiais do município. Simples assim, como toda verdade. 
 
email opiniao@comerciodafranca.com.br
 

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários