A Prefeitura de Franca e o Sindicato dos Servidores Municipais podem decidir hoje o fim da greve dos funcionários públicos. Representantes do município e dos trabalhadores participam de audiência de conciliação nesta tarde no TRT (Tribunal Regional do Trabalho), em Campinas (SP), para tentarem um acordo sobre o reajuste salarial da classe e a concessão de benefícios como vale alimentação e plano de carreira.
A audiência foi marcada depois que a Prefeitura encerrou as negociações, no último dia 27, e levou o caso à Justiça.
Segundo especialistas em direito trabalhista ouvidos pelo Comércio não é uma prática comum, em casos de dissídio, o judiciário determinar reajuste menor do que a última proposta oferecida pelo empregador. A oferta da Prefeitura estagnou em reajuste de 5,39% nos salários, além de R$ 230 de vale alimentação, dentre outros benefícios.
O presidente do Sindicato dos Servidores, Fernando Nascimento, está esperançoso de que a classe e o executivo municipal cheguem a um acordo hoje. “Isso já está ficando cansativo para todos nós. Espero que as negociações terminem nesta audiência”, disse.
Volta forçada
Na última sexta-feira, o mesmo TRT expediu liminar obrigando 70% dos servidores da Saúde e da Educação a retornarem às atividades. O desembargador do Trabalho Luiz Roberto Nunes determinou a volta dos funcionários com base apenas nas alegações da Prefeitura, sem ouvir o Sindicato da categoria.
Na solicitação de liminar, a Prefeitura reclamou da “abusividade da greve”, apesar de o prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) ter classificado, em entrevista concedida na terça passada, o movimento grevista como “relativamente pequeno”.
A Prefeitura também afirmou no pedido que os servidores teriam deflagrado a greve durante as negociações e mesmo com o Executivo Municipal disposto a negociar. O documento, entretanto, não relata a atitude de Ferreira de tentar aprovar na Câmara Municipal reajuste já rejeitado pelos servidores. O pedido da Prefeitura alegava ainda que foi preciso a ação da Polícia Militar para que trabalhadores que não aderiram a greve pudessem trabalhar. Os servidores relataram estarem sofrendo ameaças para voltarem ao trabalho.
O Sindicato dos Servidores entrou com pedido de recurso, contra a liminar expedida pelo desembargador Nunes, no último sábado. O TRT informou que a solicitação não havia sido julgada até ontem por conta da audiência de conciliação marcada para hoje.
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