A seca dos últimos meses já se reflete no bolso dos francanos. O forte calor aliado à falta de chuva provocou impacto nos preços de alimentos comuns nas mesas dos consumidores. Alguns produtos, como o tomate e a cebola, tiveram alta de mais de 50%.
Segundo o Ipes (Instituto de Pesquisas Econômicas e Sociais) do Uni-Facef (Centro Universitário de Franca), os hortifrútis são os vilões da cesta básica em Franca, sendo responsáveis pelo aumento dos preços nos últimos seis meses, “tendo em vista as alterações climáticas”.
Números divulgados pelo instituto apontam que o produto que apresentou maior variação de preço foi o tomate. O quilo do fruto passou de R$ 2,26 em outubro do ano passado para R$ 6 em março, o que representa aumento de 62,41%.
A cebola teve seu preço impulsionado desde dezembro de 2013. Segundo a coordenadora do Ipes, Melissa Franchini Cavalcanti Bandos, um dos fatores desse aumento foi o forte calor que fez com que parte da produção se perdesse. “Em novembro, o preço médio da cebola era de R$ 0,99, já em março o valor apurado para o produto foi de R$ 2,39”, apontou.
O economista e professor do Uni-Facef, Hélio Braga Filho, confirma que as variações climáticas interferem na produção e reduzem a colheita desses produtos. “A única alternativa (para o produtor) é compensar pelo preço, já que existe uma demanda firme que não se altera”, disse.
Ele destaca que as famílias de renda média-baixa são as que mais sentem o impacto da alta dos alimentos. “O preço mais alto dos produtos acaba comprometendo o orçamento. A única alternativa é sacrificar outros itens em função desses”, observou.
A dona de casa Maria de Lourdes Couputti foi umas das consumidoras que sentiu no bolso o aumento dos preços provocados pela estiagem. Adepta às dietas, não abre mão de verduras e legumes durante as refeições. “Se for preciso, a gente até deixa de comprar um calçado, abre mão de produtos de limpeza de marca, mas na alimentação não dá para mexer”, afirmou.
Com o tempo seco, a menor oferta de produtos e os preços mais altos, o economista indica alternativas para que os gastos no supermercado não acompanhem a alta dos preços. Uma delas é a substituição de alguns alimentos por outros semelhantes e de menor valor. “O consumidor tem a opção de reduzir o consumo da batata ou substitui-la por mandioca, por exemplo. Ou pode optar por pesquisar antes de comprar”, disse Braga Filho.
Cesta básica
Comprar uma cesta básica em Franca está 17,15% mais caro este ano, do que em 2013. Segundo o Ipes, o valor do conjunto de 13 produtos que a compõem chega a R$ 299,80 e é o mais caro dos últimos 13 meses.

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