Considerado comodista, conformista e alienado politicamente, o brasileiro tem dado mostras, nos últimos tempos, de que começa a não aceitar certas situações que desviam dinheiro de impostos e tributos de ações básicas para encobrir falcatruas, corrupção e negócios escusos. A partir da grande movimentação popular no mês de junho do ano passado, ficou claro que uma grande parcela da população já não aceita que os cofres públicos sejam sangrados enquanto a Educação, a Saúde, a Infraestrutura e o Saneamento Básico penam por falta de verbas. O brasileiro sofre em diversos setores, enquanto a classe dos administradores públicos se contenta em levar avante uma política paternalista e assistencialista, com claros objetivos eleitoreiros.
Nosso povo, que busca receber de volta, em seu benefício, o dinheiro investido em impostos, se mostra incomodado com a forma como a res pública (literalmente, coisa do povo) é tratada, como se privada fosse. Os gestores públicos, ao serem eleitos, têm no mandato apenas uma procuração para tratar dos interesses de seus eleitores. E isso não acontece, na maioria das vezes. Fatos recentes mostram que o proveito pessoal (e as vaidades de certas figuras) torna-se mais importante do que as necessidades da maioria.
O recente caso da compra da refinaria de Pasadena (EUA) pela Petrobrás tem diversos lances duvidosos: suspeitas de corrupção, de falta de cuidado com um dos mais valiosos patrimônios nacionais e de interesses escusos dos que participaram da decisão. E deixa claro que na iniciativa privada a decisão seria bem outra. Não adianta a presidente Dilma Rousseff (na época, presidente do Conselho de Administração da estatal) dizer que foi induzida a erro pelo relatório preparado por diretores da Petrobras. Uma refinaria que havia custado cerca US$ 42 milhões já sorveu mais de US$ 1,1 bilhão dos cofres da empresa: isso é espantoso. Um negócio estranhíssimo e que ainda está longe de ser esclarecido. Quando tentou vender a refinaria, há dois anos, a Petrobras recebeu uma oferta de apenas US$ 180 milhões. Dificilmente irá recuperar o prejuízo.
Esta e mais outras ações do governo na estatal do petróleo brasileira derrubaram o seu valor de mercado à metade em menos de uma década. No final, quem irá pagar a conta? O contribuinte brasileiro, claro, que não recebe nenhum benefício em contrapartida. A gasolina brasileira é uma das mais caras do mundo e o programa energético — aí incluída a produção de etanol — anda para trás. Temos risco de apagão de energia elétrica e o perigo, recente e real, de racionamento de água (que informalmente já vem acontecendo em vários pontos do País, inclusive por aqui).
Até quando iremos permitir que nossos bens e recursos sejam geridos de forma temerária? Para os governantes fica fácil: aumentam mais os impostos para encobrir prejuízos, mantendo nossa carga tributária como uma das mais altas do mundo, sem que o dinheiro arrecadado traga compensações a quem abarrota os cofres do Tesouro Nacional. No Brasil, pagam-se altos impostos e tributos para o município, para o Estado e para a União sem que a maior parte deles retorne para melhorar escolas, hospitais ou saneamento básico. Até quando?
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