Servidores acatam liminar e devem voltar a UBSs e escolas; greve segue


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Luís Fernando Nascimento, presidente do Sindicato dos Servidores de Franca, fala aos servidores durante assembleia na praça do Cemitério realizada neste sábado
Luís Fernando Nascimento, presidente do Sindicato dos Servidores de Franca, fala aos servidores durante assembleia na praça do Cemitério realizada neste sábado
Boa parte dos grevistas das áreas de Educação e Saúde deve voltar ao trabalho nas escolas e UBSs (Unidades Básicas de Saúde) nesta segunda-feira, dia 31. A decisão foi tomada na manhã deste sábado. Depois de muitas discussões e bate-bocas, os grevistas decidiram em assembleia acatar a determinação da Justiça do Trabalho e retomar 70% dos serviços nas duas pastas. Os demais setores (Obras, Planejamento, Assistência Social e Segurança e Cidadania) continuarão parados. 
 
Até o final da noite de sexta-feira, estava programado apenas um protesto dos servidores na Praça Central na manhã deste sábado. Com a liminar obtida pela Prefeitura na Justiça, o que era um protesto acabou se transformando em assembleia. Convocada para as 9 horas na Praça Nossa Senhora da Conceição, a reunião só começou a ganhar corpo depois das 10 horas. Como não estava prevista, o Sindicato dos Servidores Municipais não levou equipamento de som. O jeito foi improvisar. 
 
Em pé em cima de um banco da praça, o presidente da entidade, Luís Fernando Nascimento, tentou explicar as determinações da Justiça. Ele falava e, para que todos ouvissem, as professoras que estavam mais próximas repetiam em coro. Como mais de 400 servidores estavam presentes, obviamente, o sistema de jogral não funcionou. Os que estavam mais distantes não conseguiam ouvir. 
 
Depois de muita chiadeira, Fernando decidiu encerrar a assembleia e convocar uma nova reunião para as 11h30, quando então conseguiria um carro de som. O lugar escolhido foi a Praça do Cemitério da Saudade. 
 
Lá, cerca de 300 servidores compareceram e decidiram acatar a determinação judicial. Nesta segunda-feira, as escolas deverão funcionar com 70% das salas de aula, mas os setores de merenda e administrativo continuarão em greve. “Vai ser difícil controlar isso, mas os grevistas devem se atentar para respeitar os 70% exigidos no decreto”, disse Luís Fernando. Nas UBSs, o mesmo esquema. “O pessoal da enfermagem e os médicos devem voltar. Já os administrativos continuarão parados.” 
 
Todas as demais unidades permanecem paradas. Uma nova manifestação foi agendada para as 7 horas desta segunda-feira em frente à Prefeitura na avenida Presidente Vargas. 
 
A decisão não foi unânime. Muitos servidores, principalmente da área da Educação, defendiam a manutenção da paralisação total das aulas. Para eles, o sindicato deveria pagar a multa de R$ 10 mil por dia estabelecida pela Justiça e continuar pressionando a Prefeitura a aceitar os pedidos da categoria, especialmente os que se referem ao aumento de 15% e ao vale-alimentação. 
 
Recurso
O presidente do Sindicato também informou que deve entrar nesta segunda-feira com um recurso no Tribunal Regional do Trabalho, em Campinas, para tentar derrubar a liminar obtida pela Prefeitura. “Eles (a Prefeitura) apresentaram várias alegações que não são verdade. Disseram que tínhamos trancado com cadeados as UBSs, que não estávamos atendendo ninguém nos prontos-socorros, que não respeitamos os 30% de manutenção dos serviços (índice exigido em casos de greve). Mas isso tudo é mentira. Vamos contestar”, disse.
 
Além disso, foi marcada para as 14 horas da próxima terça-feira, dia 1º de abril, uma audiência de tentativa de conciliação no pedido de dissídio coletivo proposto pela Prefeitura no Tribunal. “Vamos lá tentar mais uma vez negociar. Vamos levar nossa pauta de reivindicação, os números a que tivemos acesso e torcer para a Justiça ficar do nosso lado.” (Leia mais na Entrevista de Domingo, no Portal GCN).
 
Histórico
A greve foi aprovada em assembleia realizada no último sábado, dia 22, e começou a valer na segunda-feira, dia 24. Os servidores pararam todas as UBSs e a grande maioria das escolas. Foram às ruas e interromperam o trânsito da avenida Presidente Vargas, no trecho em frente ao Paço Municipal. Pelas contas do sindicato, a paralisação atingiu entre 60% e 70% da categoria. 
 
Mesmo diante da grande adesão, o prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) encerrou as negociações e disse que não há como a Prefeitura oferecer um reajuste maior que os 5,39%. 
 
Como a greve persistiu, a Prefeitura ingressou com um pedido de dissídio coletivo na Justiça e obteve uma liminar na última sexta-feira determinando a volta ao trabalho de 70% dos serviços essenciais. 
 
Alexandre Ferreira havia decretado estado de emergência e anunciado a contratação de funcionários temporários para suprir os trabalhadores que estão em greve. O edital chegou a ser divulgado, mas, com a liminar, as contratações foram suspensas.
 
Braços cruzados
Os servidores prometem continuar com o movimento grevista. Durante a semana passada, rostos como os da professora Carla Faria, da técnica de enfermagem Deise Moreira e do escriturário Francisco Daniel Bovo ganharam as ruas da cidade. Eles protestaram contra o prefeito Alexandre Ferreira e as dificuldades de negociação com a categoria (leia mais abaixo).

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