Os iluminados


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É quaresma: tempo de jejum, esmola e oração.A liturgia deste domingo nos apresenta a missão do cristão que o faz “iluminado”.
 
Primeira Leitura - 1º Livro de Samuel, 16: O episódio narrado nesta leitura aconteceu cerca de 1.000 anos antes do nascimento de Cristo. O povo de Israel se encontra numa situação difícil. Os filisteus estão pressionando por todos os lados. Como reagir? A primeira coisa a ser feita, pensa-se é escolher como chefe um homem valoroso, hábil, capaz de conduzir os soldados à vitória. Certo dia o Senhor revela a Samuel quem foi escolhido para esta missão: um jovem de Belém, um membro da família de Jessé. É ele que deve ser ungido como rei. Qual deles? Tem muitos. Neste ponto nós também com certeza ficamos surpresos pelo modo singular como Deus age. Jesus terá o mesmo comportamento. Escolherá os pequenos, os pecadores, os pobres, os pastores, as pessoas desprezadas, que serão os primeiros convidados ao banquete do Reino. Por que Deus se comporta sempre desta maneira? A resposta se encontra no v. 7 da leitura de hoje: Deus não vê a coisas e as pessoas com olhos humanos; o homem olha as aparências, o Senhor olha o coração. Quem escuta a voz do Senhor e abraça a fé, deve aprender a encarar o mundo e os homens com os olhos de Deus.
 
Segunda Leitura - Efésios 5: Na Bíblia a luta entre o bem e o mal é apresentada com muita freqüência com a imagem do contraste entre a luz e as trevas. Paulo escreve aos primeiros cristãos que com o batismo eles passaram do mundo das trevas para o reino da luz. Por isso devem executar as obras da luz. As obras da luz são: toda espécie de bondade, de justiça e verdade. Quanto às obras das trevas, Paulo diz simplesmente que elas são tão vergonhosas, que os que as praticam procuram espontaneamente a escuridão para poder se esconder. Estas ações vergonhosas devem ser condenadas com clareza, não se deve tentar justificá-las, desculpá-las ou torná-las de alguma forma aceitáveis. Esta afirmação de Paulo é um alerta para que cada cristão cumpra deve ser denunciar com coragem e de identificar pelo nome o mal e a injustiça.
 
Evangelho - João 9: Desde os tempos mais antigos, a narrativa sobre o cego de nascença é proposta durante a Quaresma. O Evangelho deste dia nos ensina que Jesus foi enviado para trazer-nos uma água que cura esta cegueira. Para entender este trecho, temos que dividi-lo em sete partes, como se fossem sete cenas de um drama. 
Antes de narrar o episódio, João põe nos lábios dos discípulos uma pergunta que é talvez também a nossa: “Por que este homem nasceu cego?” Acreditava-se naquele tempo que Deus recompensasse os bons e castigasse os maus ainda neste mundo, na proporção direta das boas ações e dos pecados cometidos. Jesus responde que não se deve nunca falar de castigo do Senhor. Esta é uma forma pagã de imaginar Deus. Nesta segunda parte narra-se, em poucas palavras, a cura feita por Jesus. O cego não recupera imediatamente a vista, deve antes ir lavar-se nas águas de Siloé. O simbolismo do episódio é evidente: o enviado do Pai é Jesus, é a sua água que cura a cegueira do homem. Começam os interrogatórios ao cego. Observe-se que o homem que foi iluminado por Jesus já não é mais reconhecido. 
O segundo interrogatório é feito ao cego pelas autoridades. Elas não estão preocupadas em verificar o que aconteceu. Já decidiram condenar Jesus. O terceiro interrogatório é feito aos pais do cego pelas autoridades. Elas detêm o poder e não podem tolerar que alguém questione suas convicções e seu prestígio. Quem tem a coragem de contrariá-los vai sendo isolado ou eliminado. Até os próprios pais têm medo de tomar posição em favor do filho. O último interrogatório ao cego é feito pelas autoridades religiosas. Nas suas respostas, nas suas atitudes, podem-se descobrir as características que distinguem a pessoa “iluminada por Cristo”. A pessoa “iluminada”, antes de tudo é livre. Além disso, é corajosa. É sincera. Mantém-se numa permanente posição de procura. Por fim, aceita até suportar a violência.
 
Monsenhor José Geraldo Segantin
Pároco da Catedral e vigário geral - segantin@comerciodafranca.com.br
 

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