A circulação frenética de milhares de pessoas por dia, o trânsito tumultuado, as lojas cheias com animadores gritando na porta e centenas de famílias com sacolas de compras nas mãos. A descrição remete a um Centro de cidade, porém desde o ano passado está longe de ser o retrato da região central de Franca.
Conforme denúncias feitas no programa Hora da Verdade Itinerante da rádio Difusora AM do último dia 21, realizado no calçadão da rua General Telles, o Centro está vazio e virou um imã de problemas. Há desde proibições para estacionar até moradores de rua vivendo embaixo de marquises, além de pedintes, vendedores ambulantes e caçambas sobrecarregadas de lixo e que exalam cheiro ruim.
Gerente de uma loja de artigos diversos, Ana Cláudia Rosa disse que o Centro está a cada dia mais difícil. Ela reclama de moradores de rua que tomaram a frente das lojas e inibem a entrada de clientes. Segundo ela, a maioria está bêbada ou com sinais de uso de drogas. “A presença deles atrapalha as vendas, pois o cliente evita entrar na loja. Para reverter a situação, tentamos fazer amizade e convencê-los a sair.”
Para a subgerente Rosa Maria de Souza, outro agravante que contribui para a queda nas vendas é que a Prefeitura tem fechado o cerco em relação a presença de locutores nos estabelecimentos. Após ser multada por descumprir a determinação, Rosa deixou de contratar animadores para sua loja e precisou colocar a caixa de som dentro dela. Antes, ela ficava na porta virada para a rua. “Um locutor ajuda nas vendas em época de baixo movimento porque atrai os clientes.”
Segundo o animador de rua Cairo César Mateus, a Prefeitura está implantando uma lei do silêncio que prejudica os comerciantes e também quem trabalha na função. Ronaldo Benedito está no ramo há 15 anos e diz que a fiscalização limita seu trabalho como o palhaço Tatuzinho. “Um palhaço precisa falar, anunciar promoção, caso contrário ele perde a finalidade. Ninguém quer um cara na porta da loja só para fazer palhaçada.”
Além de não poder anunciar as ofertas com som, os comerciantes do Centro têm enfrentado a concorrência dos vendedores ambulantes. Com carriolas ou carrinhos de mão, eles vendem pimentas, mel, colchas e frutas pelas calçadas sem dificuldade. Vindos de outras cidades, eles alegam que Franca tem bom mercado e fiscalização falha.
Corte de vagas
Outro empecilho de quem procura o Centro para fazer compra ou alguma operação bancária é o corte de 329 vagas de estacionamento imposto pelo prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) em agosto do ano passado.
Segundo a Acif (Associação do Comércio e Indústria de Franca), desde que a extinção foi implantada, os comerciantes começaram a registrar quedas nas vendas e, em alguns casos, até a demitir. Na busca por resolver o impasse, a Acif entrou na Justiça contra o município pedindo a anulação do ato administrativo do prefeito e o retorno imediato das vagas.
“Sempre tivemos parceria com a Prefeitura, mas ultimamente há um desencontro de ideias. Tentamos dialogar com o prefeito, porém sem sucesso. Entramos na Justiça após esgotar todas as tentativas de convencimento do prefeito”, disse o diretor de comércio da Acif, Tarciso Bôtto, que participou do Hora da Verdade, apresentado por Leandro Vaz com comentários de Corrêa Neves Júnior.
Na última quinta-feira, 27, porém a liminar foi negada pela Justiça. Para o juiz, a entidade não provou que o corte ocasionou prejuízos ao comércio local. O processo no entanto segue na Justiça e a Acif acredita em uma decisão final favorável.
Praça Dom Pedro II
A uma quadra da Praça Nossa Senhora da Conceição, a Praça Dom Pedro II, mais conhecida como praça do Itaú, também concentra problemas que incomodam quem por ali passa ou trabalha, como os camelôs.
Na esquina com a rua Campos Sales, a presença de caçambas de lixo com restos de alimentos exala um odor insuportável. A vendedora Marlene Martiniano reclama que o caldo que escorre dos sacos de lixo é fedido e já foi reclamado aos órgãos competentes. “Ninguém consegue resolver esse cheiro ruim que incomoda muito.” Segundo o comerciante Maurício de Araújo, as caçambas deveriam ser lavadas toda semana e o lixo recolhido com menor intervalo de tempo.
Ainda na praça, a marquise do banco Itaú se transformou, desde o ano passado, em moradia. Segundo um camelô, com barraca próxima ao local, todos os dias no mínimo quatro pessoas fazem uso do espaço para dormir, se alimentar e até usar drogas.
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