Que o nordeste brasileiro tenha uma seca duríssima e consequente falta de água para consumo humano não surpreende ninguém neste planeta. Que a cidade de São Paulo veja seu principal reservatório esvaziado em menos de um ano, isso sim parece ser uma grande novidade... Mas não é assim: cientistas do INPE vêm, há anos, alertando que o centro-oeste e sudeste do Brasil tornar-se-ão desertos devido ao desmatamento da Amazônia.
Segundo os cientistas do INPE, grande parte das chuvas de São Paulo e Brasília é devido à umidade da Amazônia: as árvores retiram água do solo amazônico através de suas raízes de até 18 metros de profundidades e umedecem o ar pela transpiração das folhas. Sem floresta velha, sem umidade, sem chuvas no Sudeste.
O governador de São Paulo pretende interligar o sistema Cantareira com o Jaguari, que faz parte da bacia do Paraíba do Sul. O que se busca é distribuir o excesso das águas, já que as chuvas não caem igualmente lá e cá. Aliás, o governador Alckmin deveria mandar seu secretário de agricultura iniciar estudos de uso de barragem subterrânea, técnica que tem se mostrado eficiente no nordeste brasileiro.
A simples troca de válvulas por caixas de descarga já é significativo. De quantos milhões de válvulas antigas estamos falando nas duas grandes metrópoles brasileiras? E o reaproveitamento de água? Por que não incentivam o uso de água das chuvas? Pelo tamanho das enchentes dá para se ter uma ideia de quanta água cai gratuitamente, sem permissão federal, é perdida e ainda causa desastres... Alguns milhões de caixas d’água ajudariam a reduzir as enchentes? Reduziria o consumo de água?
Não custa lembrar que as águas só pertencem ao rio se estão nele. A verdade é que com um gigante como o Tietê cruzando a cidade de São Paulo, a Sabesp deveria investir na coleta do esgoto até a entrada da cidade e aproveitar essas águas.
Mario Eugenio Saturno
Tecnologista Sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE)
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