Intolerância


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Acompanhando diariamente a mídia eletrônica e impressa, o que mais se constata em todas as partes do planeta, em pleno século XXI, é a presença nefasta da intolerância. Costuma-se definir a intolerância como “uma atitude mental de alguns caracterizada pela falta de vontade ou de habilidade para reconhecer e conviver com as diferenças”. Portanto, é a ausência de disposição para aceitar os pontos de vista diferentes do nosso.
 
É evidente que a humanidade convive com diferentes formas de intolerância desde os seus primórdios, mas, atualmente, a sua presença é mais notada em razão da informação circular em tempo real. É provável que a mais marcante das intolerâncias ainda seja a religiosa. Há vários conflitos pelo Mundo, cuja inspiração está na vontade de um grupo de impor a sua posição religiosa sobre outro, apenas por entender que detenha a melhor forma da criatura se relacionar com o Criador. No esporte, vidas são ceifadas, isso porque uma torcida quer fazer prevalecer a sua vontade à força, sobre a torcida do time rival.
 
Recentemente tivemos episódios de crimes bárbaros, cometidos dentro da família, por padrastos ou madrastas, apenas porque a criança dividia a atenção do companheiro ou da companheira. Práticas homofóbicas são rotinas no mundo, infelizmente porque alguém julga-se no direito de impor censura à preferência sexual do outro, como se todos não tivessem o direito de fazer as suas próprias escolhas. Recentes episódios em estádios de futebol, no Brasil e no exterior, colocaram à mostra a mais condenável das intolerâncias: a racial.
 
Ela também é encontrada nas escolas, no trabalho e na política. Parece que os homens públicos não conseguem discordar pacificamente. Porém, é bom não esquecermos que devemos colocar entre as nossas prioridades de vida, saber lidar com as nossas próprias intolerâncias, para podermos reunir força moral para condenarmos as dos outros.
 
Setímio Salerno Miguel
Advogado Empresarial e Professor da Faculdade de Direito de Franca
 

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